O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu nesta sexta-feira (23) na 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o reconhecimento imediato do Estado palestino como membro pleno da entidade.
Abbas fez um discurso veemente, que foi interrompido em diversos momentos para ser aplaudido de pé pela grande maioria do plenário da Assembleia-Geral da ONU.
"Chegou a hora da 'Primavera Palestina'", disse Abbas, em referência aos movimentos populares conhecidos como "Primavera Árabe" - que derrubaram os governos da Tunísia e Egito.
"Chegou a hora do mundo dizer se quer que a ocupação israelense continue. Chegou a hora do povo palestino ser livre e independente. Chegou a hora de o nosso corajoso povo viver como qualquer outro no mundo", acrescentou Abbas, que entregou momentos antes de seu discurso uma aplicação formal à ONU pessoalmente ao secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon.
"A capital será Al Quds al Sherif", o nome em árabe de Jerusalém, disse Abbas. Ele pediu a "todos os membros do Conselho de Segurança para votar a seu favor", e que o futuro Estado palestino tenha as fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967, o que inclui Cisjordânia, Jerusalém Oriental (onde vive quase meio milhão de colonos israelenses) e Faixa de Gaza.
Abbas afirmou que a decisão de pedir o reconhecimento do Estado palestino não é uma medida unilateral e não tem o objetivo de isolar Israel, mas é uma confirmação de fé no direito internacional, que não estaria sendo respeitado por Israel. "Um ano atrás, todos tinham grande esperança para uma nova rodada de negociações, (...) mas essas negociações falharam esmagadas pelo governo israelense", afirmou Abbas.
Ele disse que a ANP está disposta a retomar imediatamente as negociações. "Em nome de todos os palestinos, estou aqui para dizer que nós estendemos nossa mão para o povo israelense e para o governo israelense para negociação. Vamos construir a ponte para o diálogo, em vez de muros e isolamento", afirmou Abbas.
O presidente da ANP também afirmou que as forças de ocupação mantêm um bloqueio cruel contra a Faiaxa de Gaza e condenou a liberdade de ação às milícias israelenses. "Nos últimos anos, aumentaram as atividades criminais de milícias de colonos israelenses em território palestino", disse. As colônias são o maior desafio para a paz e devem ser interrompidos imediatamente, considerou.
Abbas encerrou o seu discurso dizendo que "esse é o momento do renascimento da Palestina".
Netanyahu deslocado
Momentos após o discurso de Abbas, um deslocado Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, subiu ao pódio do plenário das Nações Unidas, para falar sobre o pedido de reconhecimento do Estado palestino.
Netanyahu abriu seu discurso dizendo que Israel estende a mão para seus vizinhos árabes e, em especial, estende a mão para o povo palestino com o "qual procura uma justa e duradoura paz", mas o discurso não passou de nova edição da retórica israelense.
Portal Vermelho
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sábado, 24 de setembro de 2011
sábado, 4 de dezembro de 2010
Palestinos: Brasil reconhecer Estado é prova de solidariedade
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) considera a decisão do governo brasileiro de reconhecer o Estado palestino nas fronteiras de 1967 como uma prova de “solidariedade” e uma “resposta não violenta ao unilateralismo israelense”.
“Quero agradecer ao meu amigo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por cumprir com sua palavra de pôr a solidariedade em ação e dar uma resposta não violenta ao unilateralismo israelense”, afirmou o dirigente palestino Nabil Shaaz em uma declaração.
Shaaz, membro do Comitê Central do Fatah a cargo das Relações Internacionais e ex-ministro das Relações Exteriores palestino, vê também na decisão um “reflexo da histórica amizade e da fraternidade entre os povos brasileiro e palestino”. “Trata-se também de uma confirmação do importante papel do Brasil na comunidade internacional”, conclui a declaração, divulgada pouco depois que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou o reconhecimento em comunicado.
O embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Al Zeben, também comemorou a decisão.“É um momento de alegria para o povo palestino, porque vem em concordância com o justo direito de nosso povo ter nosso próprio Estado e é um reflexo da política justa e equilibrada do governo brasileiro, do senhor Luiz Inácio Lula da Silva e de seu chanceler, Celso Amorim”, afirmou.
Iniciativa coerente
Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu a decisão por carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, na quarta-feira passada. O reconhecimento foi uma resposta à solicitação realizada por Abbas em 24 de novembro. “A iniciativa é coerente com a disposição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina, cujas negociações diretas estão neste momento interrompidas”, afirmou o Itamaraty em nota.
“A decisão não implica abandonar a convicção de que são imprescindíveis as negociações entre Israel e Palestina, a fim de que se alcancem concessões mútuas sobre as questões centrais do conflito”, destaca a nota, que diz ainda que “(a decisão) está em consonância com as resoluções da ONU, que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967.”
Em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a região oriental de Jerusalém, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza -territórios agora reconhecidos pelo governo brasileiro como parte do Estado palestino.
Palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado independente, mas Israel considera a cidade como sua capital eterna e indivisível.
Amplo respaldo
Com a medida, o Brasil se soma a uma lista de mais de 100 países que reconhecem o Estado palestino que inclui todos os árabes, a grande maioria da África, boa parte dos asiáticos e alguns do leste da Europa. China, Rússia e Índia também fazem parte deste grupo.
O porta-voz oficial do departamento de Assuntos Relacionados com a Negociação da OLP, Xavier Abu Eid, afirmou que outros sete países latino-americanos se mostraram dispostos a reconhecer a independência palestina nas fronteiras de 1967 no momento adequado.
“Esperamos que a decisão do Brasil dê origem a uma onda de reconhecimentos latino-americanos, como a que houve após 1988 (por ocasião da Declaração de Independência Palestina) em outras partes do planeta”, afirmou.
Desde 1975, o governo brasileiro reconhece a OLP como “legítima representante do povo palestino”. Em 1993, o Brasil abriu sua primeira sede diplomática em território palestino, cujas atribuições foram equiparadas às de uma embaixada cinco anos depois.
As negociações de paz entre israelenses e palestinos foram reiniciadas em setembro com a mediação dos Estados Unidos, mas foram interrompidas pouco depois com o fim da moratória de Israel na expansão de assentamentos judeus em território palestino ocupado.
Fonte: Vermelho
sábado, 3 de abril de 2010
Hamas pede intervenção internacional para conter violência em Gaza
Haniya disse que representantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP) articulavam uma ação conjunta com outras facções do país para buscar uma resposta coletiva a fim de "proteger e fortalecer a união do povo palestino".
Segundo o governo de Israel, bombardeios foram em represália ao lançamento de um foguete palestino contra a cidade de Ashkelon, na última quinta-feira (31) quando fábricas e depósitos de armamentos foram atingidos. Na semana passada, ataques à cidade de Khan Younis provocaram a morte de dois soldados israelenses.
De acordo com a BBC Brasil, não há informações sobre vítimas fatais. Segundo o Hamas, delegacias de polícia e centros de treinamento estão entre os alvos dos ataques. Também teriam sido atingidos prédios do Hamas e fazendas de propriedade do grupo.
A agência informou ainda que uma fábrica de laticínios foi atingida pelos bombardeios israelenses e que três crianças – com idades entre 2 e 11 anos – ficaram levemente feridas por estilhaços. O ataque da Força Aérea israelense à Faixa de Gaza é considerado o mais sério desde o fim da ofensiva israelense à região em janeiro de 2009.
De acordo com fontes palestinas e grupos de defesa dos direitos humanos, cerca de 1,4 mil palestinos morreram naquela ofensiva. Porém, segundo Israel, o número de vítimas foi de 1.166. Treze israelenses, incluindo três civis, também foram mortos nos conflitos.
As tensões aumentaram na região no mês passado após o anúncio do governo israelense sobre o plano para construção de 1,6 mil novas casas em Jerusalém Oriental – onde os palestinos pretendem fundar a capital do seu futuro Estado.
O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, afirmou, em entrevista ao jornal israelense Haaretz, que os palestinos vão declarar um Estado palestino “independente e soberano” em 2011, independentemente dos resultados das negociações.
Edição: Talita Cavalcante
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