sábado, 27 de agosto de 2016

Relatório sobre tríplex é “uma peça de ficção”

Relatório sobre tríplex é “uma peça de ficção”





Jornal GGN - A assessoria de imprensa do Instituto Lula divulgou na última sexta-feira (26) uma nota repercutindo o relatório do delegado Marcio Anselmo sobre a investigação do tríplex no Guarujá. De acordo com os advogados do ex-presidente, o documento é “uma peça de ficção”.

“É a prova cabal de que, após dois anos de investigações marcadas por abusos e ilegalidades, os operadores da Lava Jato não encontraram nenhuma prova ou indício de envolvimento do ex-presidente Lula nos desvios da Petrobrás”, disse o Instituto Lula na nota.

Segundo o Instituo, sem conseguir reunir provas contra Lula, os operadores da Lava Jato não querem assumir que erraram o alvo e estão produzindo factóides para alimentar a imprensa.

“O povo brasileiro reconhece Lula como o melhor presidente que o país já teve, o que está claro nas pesquisas sobre as eleições de 2018. O povo está percebendo, a cada dia com mais clareza, os movimentos da mídia, dos partidos adversários do PT e de agentes do estado, que não atuam de forma republicana, para afastar Lula do processo político, por vias tortuosas e autoritárias”.

Abaixo, a íntegra da nota:

Relatório-ficção comprova desespero da Lava Jato: não têm nada para acusar Lula

Operadores não têm como entregar a mercadoria prometida à imprensa, pois não há provas contra Lula, e produzem novo factoide

São Paulo, 26 de agosto de 2016,

O relatório do delegado Marcio Anselmo sobre o Edifício Solaris, divulgado hoje (26/08), é a prova cabal de que, após dois anos de investigações marcadas por abusos e ilegalidades, os operadores da Lava Jato não encontraram nenhuma prova ou indício de envolvimento do ex-presidente Lula nos desvios da Petrobrás.

Não encontraram porque este envolvimento nunca existiu, como bem sabe a Lava Jato. Mas seus operadores não podem admitir, publicamente, que erraram ao divulgar, por tanto tempo e com tanto estardalhaço, falsas hipóteses e ilações. Por isso, comportam-se de forma desesperada, criando factoides para manter o assunto na mídia. O relatório do delegado Anselmo é "uma peça de ficção", de acordo com a defesa de Lula (leia nota dos advogados ao final do texto)

Lula não é e nunca foi dono do apartamento 164-A do Solaris nem de qualquer imóvel além dos que declara no Imposto de Renda. O relatório do delegado Anselmo não acrescenta nada aos fatos já conhecidos. É uma caricatura jurídica; um factoide dentre tantos criados com a intenção de levar Lula a um julgamento pela mídia, sem provas e sem direito de defesa.

É simplesmente inadmissível indiciar um ex-presidente por suposta (e inexistente) corrupção passiva, a partir de episódios transcorridos em 2014, quatro anos depois de encerrado seu governo. É igualmente inadmissível indiciar o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, por corrupção passiva, que também não é servidor público.

Mais grave, injusto e repugnante, no entanto, é o indiciamento de Marisa Letícia Lula da Silva. Trata-se de mesquinha vingança do delegado e de seus parceiros na Lava Jato, a cada dia mais expostos perante a opinião pública nacional e internacional, pelos abusos sistematicamente cometidos.

Esta mais recente violência da Lava Jato contra Lula e sua família só pode ser entendida por 3 razões:

1 O desespero dos operadores da Lava Jato, que não conseguiram entregar para a imprensa a mercadoria prometida, ou seja: provas contra Lula nos desvios da Petrobrás.

2 Trata-se de mais uma retaliação contra o ex-presidente por ter denunciado os abusos da Lava Jato à Corte Internacional de Direitos Humanos da ONU;

É mais um exemplo da sistemática sintonia entre a calendário da Lava jato e a agenda do golpe, tentando criar um “fato novo” na etapa final do processo de impeachment.

3 O povo brasileiro reconhece Lula como o melhor presidente que o país já teve, o que está claro nas pesquisas sobre as eleições de 2018. O povo está percebendo, a cada dia com mais clareza, os movimentos da mídia, dos partidos adversários do PT e de agentes do estado, que não atuam de forma republicana, para afastar Lula do processo político, por vias tortuosas e autoritárias.

Têm medo de Lula e têm pavor da força do povo no processo democrático.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

Bolívia: procuradoria faz buscas em cooperativas e prende 10 mineiros após morte de vice-ministro

Ministério Público abriu processo penal contra dirigentes por bloqueio de estradas e pelo assassinato de Rodolfo Illanes, encontrado morto nesta quinta

Fiscais da Procuradoria de La Paz, na Bolívia, realizaram buscas nesta sexta-feira (26/08) nos escritórios de duas cooperativas de mineiros, no âmbito das investigações sobre o assassinato do vice-ministro de Interior, Rodolfo Illanes, sequestrado e assassinado nesta quinta-feira (25/08).

A operação teve como alvo os escritórios da Fencomin (Federação Nacional de Cooperativas Mineiras da Bolívia) e Fedecomin (Federação Departamental de Cooperativas Mineiras de La Paz), localizados no centro da capital boliviana.

Dez pessoas foram presas na ação, que foram conduzidas até a FELCC (Força Especial de Luta contra o Crime) para prestar esclarecimentos.
Agência Efe

Polícia e manifestantes entraram em confronto na região de Panduro

O fiscal Ruddy Terrazas disse ao jornal boliviano La Razón que houve também apreensão de documentos a fim de “esclarecer a história verídica dos fatos” a respeito da morte de Illanes.

O Ministério Público da Bolívia abriu processo penal por mais de dez delitos contra cerca de dez dirigentes mineiros pelos incidentes causados pelo bloqueio de estradas e pela morte de Illanes. Eles serão investigados por crimes como associação criminosa, terrorismo, porte ilegal de arma, sequestro e assassinato.

Houve também buscas na rádio Fedecomin, instalada na sede da entidade, que deixou de transmitir sua programação.

A rádio transmitia, nesta semana, informações sobre os confrontos entre a polícia boliviana e os mineiros na região de Panduro, a 186 quilômetros de La Paz, onde o vice-ministro de Interior foi encontrado morto.
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A morte de Illanes foi confirmada na noite de quinta-feira pelo ministro de Governo da Bolívia, Carlos Romero, que disse haver evidências de que o vice-ministro foi “covarde e brutalmente assassinado" após ter sido sequestrado por mineiros.

Romero declarou que Illanes foi feito refém quando tentava dialogar com mineiros que, há três dias, protestavam e bloqueavam estradas na região. Houve confrontos com a polícia, que resultaram na morte de dois manifestantes na quarta-feira (26/08). Os mineiros alegam que houve uma terceira vítima fatal, que não foi confirmada pelo governo boliviano.

Romero disse também que Illanes havia entrado em contato com o governo boliviano para informar sobre seu sequestro pelos mineiros, que estariam lhe fazendo ameaças.

Segundo informações do jornal La Razón, os dirigentes mineiros confirmaram estar com Illanes, mas disseram tratar-se de uma "retenção" do vice-ministro e não de um sequestro.

O presidente Evo Morales afirmou nesta sexta, em entrevista coletiva, que o assassinato de seu vice-ministro é "imperdoável" e decretou luto nacional por três dias, sem suspensão das atividades.

Segundo o promotor de La Paz, Edwin Blanco, relatórios preliminares do Instituto Médico Legal apontam que Illanes morreu após um derrame provocado por agressões físicas.

Os mineiros, agrupados em cooperativas privadas, querem alugar suas concessões mineradoras para empresas privadas ou estrangeiras, o que é vetado pela Constituição boliviana.


Opera Mundi

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Santos entrega texto do acordo de paz com FARC ao Congresso e ordena cessar-fogo definitivo

Presidente colombiano pretende realizar 'plebiscito pela paz' no dia 2 de outubro, quando população do país deverá referendar o acordo para que entre em vigor

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, entregou nesta quinta-feira (25/08) ao Congresso Nacional o texto final do acordo de paz do governo com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assinado na quarta-feira (24/08) em Havana, Cuba, após quatro anos de negociações.

Durante o ato de entrega do texto ao presidente do Congresso, Mauricio Lizcano, Santos anunciou que a partir da próxima segunda-feira (29/08) estão suspensas as ações militares ofensivas e defensivas contra a guerrilha.

“Como comandante-chefe das Forças Militares da Colômbia, ordeno o cessar-fogo definitivo com as FARC a partir das 00:00 do dia 29 de agosto”, declarou o presidente. “Termina assim o conflito armado com as FARC.”
Agência Efe

Ato de entrega do texto final do acordo de paz aos legisladores foi realizado em frente ao prédio do Congresso Nacional

Além do texto final do acordo de paz, Santos entregou também uma carta em que informa o Congresso que deseja realizar o “plebiscito pela paz” no dia 2 de outubro, quando a população do país deverá referendar o acordo para que ele entre em vigor. Os legisladores colombianos devem analisar e aprovar o texto do acordo de paz e autorizar a convocação do plebiscito.

Santos afirmou que o acordo “deve ser referendado pelo povo para que tenha mais legitimidade”. “Sou consciente de que não tinha essa obrigação legal, mas sim a obrigação moral, porque sou um democrata e porque creio que o povo deve ter a última palavra”, disse.

A assinatura do acordo final de paz foi feita na quarta-feira (24/08) em Havana, capital de Cuba, onde desde novembro de 2012 se desenrolavam os diálogos de paz. Humberto de La Calle, representante do governo da Colômbia, e Ivan Marquez, representante das FARC, assinaram o texto do acordo final, assim como os representantes dos governos de Cuba e Noruega, países fiadores do processo de paz.
Os dois lados assinaram um cessar-fogo bilateral em junho, um dos pontos mais complexos do acordo e que abriu caminho para a conclusão das negociações. As condições sobre como será a anistia aos guerrilheiros, sua futura participação política e reincorporação à vida civil foram os últimos temas a serem acordados.

Segundo o acordo de paz, as FARC irão pôr fim à luta armada e buscar seus objetivos políticos por meio da atuação partidária na democracia representativa colombiana.

Espera-se que, com a vitória do “sim” ao fim do conflito segundo o texto do acordo no referendo popular em outubro, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das FARC, Timoleon Jimenez, assinem o texto final até o fim deste ano, o que colocaria em vigor o acordo de paz.

Para além destes passos, a verificação e o respeito aos pontos da agenda discutida nos últimos quatro anos em Havana são as garantias para a paz duradoura na Colômbia. Em janeiro, os dois lados concordaram na participação da ONU como monitora do cessar-fogo e da resolução das eventuais disputas que possam surgir da desmobilização de pelo menos 7 mil guerrilheiros armados.

Em agosto, foram anunciados os critérios para escolha dos juízes que atuarão na Jurisdição Especial para a Paz, um tribunal estabelecido no processo de diálogo entre as partes e que julgará delitos cometidos durante o conflito entre a guerrilha e as forças colombianas.

O conflito entre diversas guerrilhas, entre elas as FARC, e o governo colombiano já deixou mais de 220 mil mortos e pelo menos um milhão de pessoas desalojadas desde 1964. O governo Santos e as FARC estão desde 2012 negociando um acordo de paz que dê fim ao conflito entre as duas partes e trate de justiça e reparação para as vítimas e de reinserir as pessoas envolvidas na guerrilha na sociedade civil.





Opera Mundi

Temer longe da urna

Por José Roberto de Toledo

Às vésperas de perder o “interino” de seu título, e em tempo de estrear na política internacional em viagem à China, Michel Temer deve manter-se longe da política local – dos palanques, ao menos. O presidente em exercício anunciou que não fará campanha nas eleições municipais. Foi uma decisão esperta. A julgar pelos resultados das pesquisas Ibope em 22 grandes e médias cidades divulgados esta semana, seria, sim, por falta de convite.

Temer tem saldo negativo de popularidade em 22 das 22 cidades pesquisadas. Em todos elas, as taxas de ótimo e bom atribuídas ao seu governo são menores do que as taxas de ruim e péssimo. O tamanho do buraco varia de município para município, de região para região, mas, sem exceção, mais eleitores desaprovam a gestão Temer do que a elogiam. Logo, sua presença em palanques teria mais chance de atrapalhar do que ajudar um candidato.

É improvável que essa impopularidade onipresente mude em tempo de transformar o futuro ex-interino em um cabo eleitoral para candidatos a prefeito. Seria necessária uma reversão relâmpago da recessão e uma melhoria instantânea das expectativas econômicas para que Temer deixasse de ser um peso na urna.

Mesmo nas metrópoles onde seu partido, o PMDB, tem candidato com chances eleitorais palpáveis, Temer deve manter-se longe de comícios e propagandas na TV ou no rádio. Não apenas porque eventualmente assim prefira, mas porque os marqueteiros teriam um enfarte se precisassem inseri-lo ao lado do cliente.

Tome-se o caso de São Paulo. Marta, que não quer mais ser chamada de Suplicy, é a candidata peemedebista. Largou em segundo lugar, com 17% das intenções de voto estimuladas no Ibope. Tem boas chances de ir ao 2.º turno. Mas o endosso explícito de Temer não ajudaria em nada essa missão: 41% dos paulistanos acham o governo do interino ruim ou péssimo.

Na verdade, Temer tem uma taxa de ótimo e bom entre os paulistanos tão baixa quanto a do impopular prefeito petista Fernando Haddad: 13%. O saldo de popularidade presidencial em São Paulo é de 28 pontos negativos. E está longe de ser a cidade onde o presidente interino é mais mal avaliado.

No Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PMDB) pena para eleger o candidato Pedro Paulo (tem 6% de intenção de voto e está em quarto lugar), Temer tampouco ajudaria. Sua popularidade está 30 pontos no vermelho. Ou seja, 25 pontos pior do que a de Paes.

Do Nordeste, então, Temer deve manter mais distância ainda. Em Salvador, ACM Neto (DEM) nada em popularidade. Tem 71% de ótimo e bom. Se a eleição fosse hoje, ele se reelegeria já no 1.º turno com 81% dos votos válidos. Para que arriscar um apoio explícito de Temer, que tem 53% de ruim e péssimo na cidade?

Em Feira de Santana (BA) a situação é igual: o candidato do DEM se reelegeria no 1.º turno e Temer amarga 50% de ruim e péssimo contra 10% de ótimo e bom. A maré de impopularidade presidencial também vai alta em outras cidades nordestinas.

No Recife, o presidente interino tem 48% de desaprovação. São 49% de ruim e péssimo em Teresina, 45% em Aracaju, 44% em Natal, 49% em Fortaleza e 46% em Maceió. Na capital de Alagoas, o governador, filho de Renan Calheiros, é mais popular do que Temer: 32% de ótimo/bom e 25% de ruim/péssimo: saldo de 7.

O fenômeno se repete em outras regiões. Em Belo Horizonte, Temer tem 47% de ruim e péssimo contra apenas 13% de ótimo e bom. Em Porto Alegre, onde o PMDB tem candidato a prefeito, Temer só não é mais impopular do que o governador peemedebista José Ivo Sartori. Tem saldo negativo de 32% contra 43% do governador.

O cenário se repete no interior paulista, em cidades como Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos, Araraquara e Sorocaba. Lá, Temer é mais mal avaliado do que Geraldo Alckmin (PSDB).

Para sorte do presidente, não há eleição municipal em Brasília.






José Roberto de Toledo
O Estado de São Paulo