quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Temer deve levar Brasil ao FMI

Deu no G1:

FMI recomenda revisão do salário mínimo e reforma trabalhista no Brasil



Relação entre salário mínimo e benefícios sociais deve ser revisada, avalia.
Órgão afirmou que controle de gastos pode 'mudar o jogo', mas traz riscos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou nesta quinta-feira (29) que o Brasil faça uma revisão do cálculo do salário mínimo e sugeriu que o país lance mão de uma reforma trabalhista, como parte das ações para "recuperar a sustentabilidade fiscal" e "retomar o crescimento".

Em comunicado após visita oficial ao país, o Fundo sugeriu que a fórmula para a revisão do salário mínimo afeta o crescimento das aposentadorias e de outros benefícios. Segundo o órgão, ela é "uma importante fonte de pressão fiscal no médio prazo".
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Para o FMI, "a relação entre os benefícios sociais e o salário mínimo precisa ser revisada, enquanto que a fórmula para o salário mínimo também, para melhor refletir as melhoras na produtividade".

A reforma trabalhista é uma das medidas necessárias para o retorno do crescimento, disse o órgão no documento. "Reformas que visem facilitar o emprego produtivo e reduzir incentivos à informalidade podem promover a criação de empregos, investimentos e crescimento".

Recuperação e quadro fiscal


O Fundo destacou que a recuperação do PIB deve ter início a partir de 2017, mas ponderou que ainda há riscos domésticos e também externos que podem minar esse crescimento.

Segundo o FMI, a melhora do quadro fiscal baseada somente em controle dos gastos pode levar vários anos para estabilizar a dívida pública, além de trazer riscos.

Por outro lado, o órgão afirmou que o teto de gastos pode "mudar o jogo". O órgão prevê que a dívida pública continuará a crescer por alguns anos até atingir um pico e, depois, começará a cair.

A medida que limita o aumento dos gastos públicos pela inflação do ano anterior – que deve seguir para votação no Congresso – pode ajudar a melhorar a trajetória das despesas e permitir a estabilização e uma eventuial redução da dívida pública em relação ao PIB, diz o órgão no documento.

"O foco do governo em controlar o crescimento dos gastos públicos é imperativo e bem vindo", disse o FMI, criticando "políticas fiscais insustentáveis" baseadas em "despesas infundadas e onerosas de forma crescente".

Veja abaixo as principais recomendações do FMI para o Brasil:

- Controlar o crescimento dos gastos públicos.

- Reformar a seguridade social de forma ampla, incluindo "mudanças nas regras da idade da aposentadoria" e outros benefícios previdenciários, além de incluir servidores públicos na reforma, com a ressalva de que as mudanças devem ter um provisionamento para "proteger os mais vulneráveis".

- Conter a trajetória de gastos dos estados com a adoção de regras similares às propostas para a União.

- Reduzir a rigidez orçamentária, incluindo a arrecadação de impostos, e aumentar a flexibilidade dos gastos no orçamento.

- Revisar a fórmula de cálculo do salário mínimo e outros benefícios que são "fonte importante de pressão fiscal".

- Implantar o teto de gastos para o "melhor uso dos recursos" e para evitar a queda na qualidade dos serviços públicos.

- Continuar com o aperto monetário (política de juros altos) até as expectativas de inflação convergirem mais claramente para o centro da meta.

- Continuar a usar a taxa de câmbio como a primeira linha de defesa contra "choques".

- Reforçar a resiliência e eficiência do setor bancário.

- Abrir a economia, com redução de tarifas e barreiras não tarifárias.

- Fazer uma alocação eficiente de recursos, com uma revisão nas regras do crédito.

- Reforma trabalhistas para facilitar o emprego produtivo e reduzir incentivos à informalidade.

- Reforma tributária para reduzir custos dos investimentos e a simplificação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS/CONFIS e IPI.

- Medidas de transparência para combater a corrupção e lavagem de dinheiro.



G1, em São Paulo

Déficit primário do governo central soma R$20,3 bi em agosto, pior que o esperado

O governo central, formado por governo federal, Banco Central e Previdência Social, registrou um déficit primário de 20,345 bilhões de reais em agosto, recorde para o mês na série histórica iniciada em 1997, pressionado pela frustração nas receitas em meio à recessão econômica. O dado também veio pior que a expectativa de analistas de um rombo de 17,05 bilhões de reais, segundo pesquisa Reuters. Ele foi diretamente afetado pela queda real de 13,1 por cento na receita líquida total, a 74,983 bilhões de reais, diante da fraqueza na arrecadação de impostos e do tombo de 88,8 por cento no recebimento de dividendos e participações na comparação com o mesmo mês do ano passado. Ao mesmo tempo, as despesas totais subiram 3,8 por cento sobre um ano antes, já descontada a inflação, a 95,329 bilhões de reais.

Segundo o Tesouro, os gastos no mês foram impactados pelo crescimento de 21,5 por cento dos benefícios previdenciários sobre um ano antes, a 43,841 bilhões de reais, alta influenciada pelo pagamento de parcela do 13o salário, o que não ocorreu no mesmo mês de 2015.

Enquanto o déficit conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi de 5,031 bilhões de reais no mês de agosto, o rombo na Previdência foi de 15,314 bilhões de reais.No acumulado do ano, o déficit primário do governo central como um todo alcançou 71,419 bilhões de reais -- pior resultado da série para o período. No período, o saldo ficou negativo em 87,574 bilhões de reais para a Previdência e positivo em 16,156 para Tesouro Nacional e BC. Para o ano, o governo central tem como meta um déficit primário de 170,5 bilhões de reais, que, se confirmado, será o terceiro resultado no vermelho consecutivo e o pior já registrado pelo país. Na semana passada, o governo contabilizou recursos já declarados, mas ainda não pagos no âmbito do programa de regularização de ativos no exterior, e divulgou ter encerrado o quarto bimestre com uma reserva de 1,181 bilhão de reais para absorver possíveis riscos fiscais em 2016 e seguir cumprindo a meta de resultado primário.

 
Marcela Ayres
Reuters

EUA iniciaram uma guerra não declarada contra os BRICS?


Bandeiras países BRICS 

O conflito entre os EUA e os BRICS iniciou-se ainda alguns anos atrás. Washington temia a influência crescente do bloco dos cinco países e, pelo que se viu, os EUA não ficaram de braços cruzados, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik o especialista russo Ilya Kharlamov.

Mapa do mundo
Mundo poderá se tornar tripolar nas próximas décadas © Sputnik/ Vladimir Astapkovich

Às vezes especialistas norte-americanos são bastante sinceros nas suas declarações sobre a intenção dos EUA de manter o domínio global. Especialmente aqueles que vivem fora dos EUA. Um deles publicou um texto em que afirma que a primeira etapa de destruição do bloco BRICS já se iniciou. Na sua opinião, este grupo é o que coloca maior ameaça à hegemonia econômica norte-americana, hegemonia que Washington e o mundo de negócios leal aos EUA estão prontos a defender por todos os meios possíveis, inclusive de armas na mão. Trata-se principalmente do Brasil. Foi o Brasil que tentou enfrentar os oligarcas ocidentais no mercado energético brasileiro, mas perdeu esta luta. Washington usou o seu "método de mudança de governos" ligado ao habitual tema da corrupção. Por exemplo, este mesmo método foi usados na Ucrânia e em outros países. Há tentativas de manipular as pessoas e de provocar protestos em contextos de situação econômica desfavorável, nos países onde o problema da corrupção pode servir de rastilho.

Na opinião do analista russo Ilya Kharlamov, este cenário foi muito eficaz no caso do Brasil. A ex-presidente do Brasil foi afastada depois de uma campanha para manchar a sua imagem. Michel Temer, destacou o especialista, foi informador da Agência Central de Inteligência (CIA), segundo as informações do portal WikiLeaks. O novo líder brasileiro já anunciou a venda dos ativos petroleiros do Estado, que podem ir parar às mãos dos que não estavam satisfeitos com Dilma. Uma outra coisa interessante é que foram as agências de rating norte-americanas que prestaram a maior atenção ao fato de o país estar numa situação econômica muito grave.

Líderes do grupo BRICS, na cúpula do G20 em Hangzhou. 4 de setembro de 2016
Líderes do grupo BRICS, na cúpula do G20 em Hangzhou. 4 de setembro de 2016 © REUTERS/ Wang Zhao/Pool 'BRICS seriam excelentes membros permanentes do CS da ONU' – enviado da Rússia na ONU 

É o que o Brasil vinha consolidando gradualmente a sua soberania e a sua influência, inclusive no quadro do BRICS. O novo bloco transformou-se em um novo centro de poder, o que não agrada de maneira nenhuma aos EUA. A competição entre os BRICS e os EUA começou ainda alguns anos atrás quando, por exemplo, os países dos BRICS começaram a discutir o problema de desigualdade de quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) entre os países ocidentais e o resto do mundo. O apetite dos EUA estende-se também para outros países da América Latina, inclusive à Venezuela, que desenvolve de forma ativa relações com a Rússia. O presidente deste país fala abertamente sobre conspirações organizadas pelos EUA. Agora o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou mesmo o seu desejo de desenvolver boas relações com os EUA, o que aconteceu no meio das discussões sobre o referendo e sobre a saída de Maduro do poder. A tentativa de neutralizar a influência dos BRICS tornou-se uma tendência política estável. No contexto das ambições globais podemos lembrar também a Europa, o Oriente Médio e a África do Norte, afirmou Kharlamov. Com certeza, os EUA não conseguem fazer tudo o que querem. Este é o maior perigo para os EUA, que podem não ter capacidade suficiente para manter os seus apetites geopolíticos, como aconteceu no caso do o Império Otomano, que se estendia dos países Balcânicos até a Ásia Central e da Crimeia até Marrocos. No início do século XX esta construção gigantesca desintegrou-se. Quem sabe se o mesmo não pode acontecer aos EUA se estes não desistirem das suas ambições?


Sputnik News

Arrecadação federal cai 10,2%.

Viva a “recuperação econômica” do Temer! Arrecadação federal cai 10,2%.

Por Fernando Brito 
 


No dia 20, já se antecipava um desastre na arrecadação de tributos pela União, com queda de 9%.

Foi pior: 10,12%, segundo o dado divulgado hoje pela Receita Federal.

São os “sinais de retomada da economia”, que você só encontra na imprensa.

O rombo nas contas do Tesouro será estrondoso.

Só menor do que a cara de pau dos “analistas de economia” que estão, desde maio, dizendo que “agora vai”.

Ou “ia”…

Míriam Leitão diz candidamente em O Globo: “O recolhimento de impostos acompanha a atividade econômica. Os últimos resultados da arrecadação indicavam que a recessão perdia força, que a queda livre havia sido estancada, mas o dado de agosto mostra que o caminho até a recuperação da atividade não será linear. Com tantas incertezas no radar, a economia vai continuar oscilando.

Oscilando?

É menos 10,12% em valor real em cima do que já era um desastre, o agosto passado, quando a política recessiva de Joaquim Levy passou a fazer a arrecadação despencar, com queda de 8,9% sobre agosto de 2014.

Ou seja, comparando agosto de 16 com o de 2014, quando a economia passou a ir mal das pernas, a arre4cadação federal caiu 18,5%!

Assim, nem com o déficit gigante arranjado por Temer (é igual a “prometer chegar em último”) o Orçamento público vai dar conta.


Fernando Brito
Tijolaço