domingo, 26 de março de 2017

Ciro critica abuso de autoridade na Lava Jato

"Esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala, se eu não tiver cometido nada errado", ameaça o ex-governador


Nesta terceira parte da entrevista que Ciro Gomes (PDT-CE) concedeu para ao GGN, no programa Na sala de visitas com Luis Nassif, o ex-governador do Ceará criticou o abuso de autoridade exercido pela Justiça e Ministério Público de Curitiba, fazendo um alerta ao juiz Sérgio Moro caso aplique a condução coercitiva contra o ex-ministro.

"Esse Moro resolveu prender um blogueiro [Eduardo Guimarães, em condução coercitiva, dia 21 de março]. Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala, se eu não tiver cometido nada errado", disse.

Neste trecho da entrevista, Ciro avalia também que Dilma não lutou o suficiente para evitar o golpe jurídico que a afastou do Planalto em 2016, fazendo uma comparação com a postura de João Goulart no golpe de 1964. Ele aponta também os erros do PSDB e que poderão levar a um descrédito ainda maior do partido que defendeu o impeachment contra Dilma, mas que acabou alimentando ainda mais a crise institucional do país.


Jornal GGN


Ex-líder guerrilheiro Francisco Guterres Lu-Olo é eleito presidente de Timor-Leste

'Serei um presidente que promove o diálogo' e 'reconhece a complexidade sociopolítica, econômica e cultural do país', disse Lu-Olo, apoiado por líder independentista timorense Xanana Gusmão

O ex-líder guerrilheiro Francisco Guterres, conhecido como Lu-Olo, venceu as eleições presidenciais realizadas na última segunda-feira (20/03) em Timor-Leste e será o próximo presidente do país asiático.

Lu-Olo, da Fretilin (Frente Revolucionária pela Independência do Timor-Leste), teve 57,08% dos votos válidos, enquanto o segundo colocado, António da Conceição, do PD (Partido Democrático), teve 32,47%, segundo dados finais provisórios.

O presidente eleito somou 294.938 votos, contra os 167.760 de Conceição, num pleito em que participação total consistiu em 528.813 eleitores, ou 71,16% dos eleitores do país, segundo o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral do Timor-Leste.

A posse de Lu-Olo como presidente está programada para o dia 20 de maio, quando se completam 15 anos da independência do país da Indonésia, que ocupou Timor-Leste após a independência deste de Portugal, em 1975.
Agência Efe

Francisco Guterres Lu-Olo venceu eleições e será próximo presidente de Timor-Leste; posse está programada para 20 de maio

Guerrilheiro entre 1975 e 1999

Popularmente conhecido como Lu-Olo, seu nome de guerra, Francisco Guterres é presidente da Fretilin e do Parlamento Nacional.

Nascido em setembro de 1954, ele permaneceu na guerrilha desde a invasão da Indonésia, em 7 de dezembro de 1975, até à saída dos ocupantes, em outubro de 1999. Esta foi sua terceira tentativa de se tornar presidente de Timor-Leste, tendo perdido nas eleições de 2007 e 2012.

Além da Fretilin, Lu-Olo foi apoiado CNRT (Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste) de Xanana Gusmão, líder independentista e ex-presidente (2002-2007) e ex-primeiro-ministro (2007-2015) do país.

"Serei um presidente que promove o diálogo, a interação sobre os assuntos de governação do país, sobre o conceito nacional de desenvolvimento, que reconhece a complexidade sociopolítica, econômica e cultural do país", afirmou Lu-Olo neste sábado (25/03) em Díli, capital do país.

O presidente eleito também agradeceu o apoio da Fretilin e do CNRT, os maiores partidos de Timor-Leste, e disser ser uma "grande honra" ter como porta-voz na campanha "dois nomes fortes como Mari Alkatiri e Xanana Gusmão", respectivos líderes das legendas.


Opera MUndi

Com Esquerda.net e Lusa

Chilenos saem às ruas em 'maior marcha da história' contra sistema de previdência

Ato pede substituição do atual sistema, privatizado em 1981 por Pinochet, por sistema tripartite; mais de 90% dos aposentados do Chile recebe pensões inferiores a 154 mil pesos mensais (233 dólares)

O movimento No+AFP (Não mais Administradora de Fundos de Pensões) convocou para este domingo (26/03) um novo ato contra o sistema previdência do Chile, privatizado em 1981. Atos em todo o país, apoiados por diversas organizações sociais e trabalhistas, fazem da manifestação “uma das marchas históricas, talvez a maior da história”, afirmou Luis Mesina, porta-voz do movimento, durante entrevista coletiva neste sábado (25/03).

Os organizadores esperam superar as manifestações do ano passado, que reuniram cerca de 1,3 milhão de pessoas em todo o país em agosto, e 750 mil manifestantes na marcha anterior de 24 de julho.

“Chamamos todas as famílias trabalhadoras do Chile para marchar massivamente este domingo para deixar claro que não queremos mais AFP, nem privada nem estatal, e não toleraremos reformas cosméticas que não dão solução real às baixas pensões nem à farsa permanente das quais os trabalhadores chilenos têm sido vítimas há mais de 36 anos”, declarou Mesina. O dirigente ainda afirmou que espera “que isso gere um impacto e vençamos esta indolência de parte das autoridades políticas que não querem escutar este clamor que pede a restituição de um direito fundamental”.
Reprodução/Twitter NoMasAFP

Chilenos protestam por aposentadoria digna

No ano passado, a presidente Michelle Bachelet propôs um projeto de lei de reforma do sistema previdenciário, mas que não eliminaria o regime privado, agregando a este uma espécie de AFP estatal. “Deveremos realizar mudanças dos parâmetros utilizados para avaliar as pensões e assegurar que o sistema não só seja justo como também sustentável”, afirmou Bachelet. “Iremos criar uma administradora de fundos estatais que acolha os trabalhadores que hoje carecem de cobertura previdenciária”, acrescentou.

As AFPs, empresas dedicadas a gerir o dinheiro dos contribuintes reservados à aposentadoria futura, surgiram durante a ditadura militar de Augusto Pinochet, que buscava uma forma de superar a crise econômica investindo as contribuições dos trabalhadores no mercado de capitais. Em poucos meses, surgiram no país 14 novas companhias dedicadas a este mercado, que prometiam uma aposentadoria de luxos e extravagâncias.

O movimento No+AFP propõe a substituição das administradoras por um sistema de distribuição com caráter tripartite e solidário, com financiamento por parte do empregador, Estado e trabalhador. Atualmente, mais de 90% dos aposentados do Chile recebe pensões inferiores a 154 mil pesos mensais (233 dólares), quase a metade do salário mínimo legal. O valor da aposentadoria que os trabalhadores recebem é determinado pela flutuação do mercado e o rendimento dos fundos alimentados pelos assalariados que depositam mensalmente nas AFP 10% de seu salário bruto.





Opera Mundi

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ex-diretor da Odebrecht: “Padilha me passou todos os endereços para entrega do dinheiro”

Um dos locais indicados por Padilha foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer (PMDB), informou Carvalho Filho ao ministro Herman Benjamin. Segundo o ex-executivo da Odebrecht, a distribuição dos recursos foi determinada pelo executivo Marcelo Odebrecht.


O ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho declarou em depoimento prestado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), lhe passou todos os endereços para o pagamento de R$ 4 milhões destinados ao PMDB durante a campanha eleitoral de 2014.

Um dos locais indicados por Padilha foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer (PMDB), informou Carvalho Filho ao ministro Herman Benjamin. Benjamin é o relator no TSE da ação que apura se a chapa de Dilma Rousseff (PT) e Temer cometeu abuso de poder politico e econômico para se reeleger.

Esse pagamento teria sido realizado no dia 4 de setembro de 2014. “Todos os endereços, esses e os outros que eu não me lembro me foram dados pelo Eliseu Padilha”, disse Carvalho Filho. Segundo o ex-executivo da Odebrecht, a distribuição dos recursos foi determinada pelo executivo Marcelo Odebrecht.

“Procurei depois o Eliseu Padilha, no escritório dele, comentei o fato, ele já sabia, evidente, e solicitei dele os endereços que eles poderiam receber e quem fez essa operação foi Operações Estruturadas. A sistemática era: eu chegava expor até ele e ele me fornecia o endereço, eu transmitia ao sistema de Operações Estruturadas a sra. Maria Lúcia (ex-secretária da Odebrecht), que uns dias depois, me entregava uma senha. Eu pessoalmente entregava essa senha, entreguei essa senha ao Sr. Eliseu Padilha”, afirmou José de Carvalho Filho.

“E a partir dali, eu não tinha como e nem sabia como as coisas eram operacionalizadas. Então, esclarecendo que tive com ele (Padilha) quatro ou cinco vezes para pegar esse endereço e voltei novamente para pegar essas senhas”, completou o ex-executivo da Odebrecht. De acordo com Carvalho Filho, os valores seriam repassados ao PMDB via Eliseu Padilha.

“Ligação extemporânea” de Cunha


Carvalho Filho também afirmou ter recebido na época uma “ligação extemporânea” do então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), comentando que não havia recebido R$ 500 mil.

“Tivemos uma discussão acalorada ao telefone. Achei estranho e comuniquei ao Cláudio (Cláudio Melo, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht): ‘Cláudio, o fato foi esse e vamos esclarecer junto ao Eliseu’. Logo depois fomos ao Eliseu e esclarecemos. Ele achou muito estranho este fato e disse: ‘Olha, se o endereço que eu dei e se fosse realmente entregue, o Sr. Yunes é uma pessoa de mais ou menos setenta anos, é de minha confiança, dificilmente não teria registrado isso”. Isso causou um constrangimento a mim. (…) O mal-estar permaneceu e a empresa tomou, deliberou fazer outro pagamento de 500 (quinhentos) mil reais no valor, aquele que deu origem ao processo em discussão”, afirmou o ex-executivo.

Carvalho Filho disse não ter controle da planilha de distribuição de recursos. “A minha ação é entregar, tomar o endereço do Sr. Padilha e entregar à sra. Lúcia e a Sra. Lúcia me dava uma senha que eu repassava”, explicou.

O ex-executivo da Odebrecht também não soube dizer que outros parlamentares do PMDB foram beneficiados com parte dos R$ 4 milhões.

Sobre o lobista Lúcio Funaro, apontado por investigadores da Operação Lava Jato como operador de Eduardo Cunha, Carvalho Filho respondeu: “Nunca vi o Lúcio Funaro, nunca estive com o Lúcio Funaro e não sei quem é o Lúcio Funaro”.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Padilha comunicou que o ministro não vai se pronunciar sobre o vazamento do depoimento.”

Depoimentos


No dia 14 deste mês, o ministro Herman Benjamin negou pedido apresentado pela defesa de Dilma Rousseff para que Padilha e Yunes prestassem depoimentos na Justiça Eleitoral.

“Não houve referência, no conjunto probatório até aqui produzido, de fatos concernentes à atuação de Eliseu Padilha ou José Yunes que tenham correlação direta com o objeto desta causa, isto é, o financiamento da chapa Dilma-Temer em 2014”, escreveu Benjamin em sua decisão.



Revista Forum
com Informações do Estadão