quinta-feira, 22 de junho de 2017

“Temer vagava sozinho pela embaixada”: como Michel levou à Rússia o desprestígio do Brasil.

Por Kiko Nogueira
Desprezado

A melhor cobertura da viagem de Michel Temer à Rússia foi feita pelo jornalista Sandro Fernandes no Twitter.

Aliás, não sei se “melhor” é a palavra. Fiquemos com a cobertura mais honesta.

Oficialmente, Temer teve encontros para assinar acordos bilaterais, foi ao balé com Vladimir Putin, deu declarações sobre a nossa “recuperação financeira”, propôs estreitamento de laços.

Tudo para verder carne do Joesley.

Houve até uma conversa sobre “cooperação anticorrupção”, algo que “deve ter como objetivo a obtenção de resultados concretos”, seja lá o que isso signifique.

Ao longo dos últimos dias, em sua timeline, Sandro retratou a realidade longe dos salões: um governante isolado, um pateta errante, carregando para o exterior o desprezo e a ilegitimidade de casa.

A turnê de Michel Temer é um passeio ao acaso. Ponto alto foi um pedido do primeiro ministro Medvedev para o Brasil apoiar a candidatura de São Petersburgo a sede da Expo 25.

Temer apenas levou para passear em Moscou seu nanismo moral.

Eis suas aventuras na Rússia, numa seleção de postagens de Sandro Fernandes:

. Temer foi recebido no aeroporto por um vice-ministro, cargo de segundo escalão aqui na Rússia.

. Durante cerimônia protocolar em q Temer colocou flores no Túmulo d Soldado Desconhecido, alguém gritou Fora Temer, do lado de fora do jardim.

. O Fora Temer durante a cerimônia em Moscou deve ter vindo de algum turista brasileiro que passava pelo local.

. Ontem, a Embaixada do Brasil em Moscou organizou um coquetel para Temer. Apenas metade das pessoas convidadas compareceu.

. ”Nunca vi um presidente tão desprestigiado”, ouvi de um pessoa que estava no coquetel de Temer.
. Durante o coquetel na Embaixada do Brasil em Moscou, Temer vagava sozinho pela embaixada, tentando se aproximar das rodinhas.

. Nesse tipo de evento, falar com o presidente requer mta paciência. Ontem, Temer era quem tentava puxar assunto c as pessoas.

. Conversei c pessoas q estiveram em eventos parecidos c FHC, Lula e Dilma. Ninguém nunca viu o constrangimento e desprestígio q viram c Temer.

. Essas histórias do desprestígio do Temer estão me dando pena, gente. Pena de mim. E de nós.


Diário do Centro do Mundo

Internauta faz as contas e diz que já foram gastos R$156 milhões para tentar provar que triplex é de Lula

Um internauta usou como base os salários das quase 300 pessoas envolvidas na investigação conduzida por Moro e que até hoje não apresentou sequer uma prova de que o famoso triplex no Guarujá era do ex-presidente. Nesta semana, defesa entregou alegações finais com documento comprovando titularidade da Caixa e desmontando a tese da Lava Jato


Em 3 anos, estima-se que a Justiça do Paraná, atuando pela operação Lava Jato, tenha gasto cerca e R$156 milhões para tentar provar que um triplex na cidade de Guarujá, em São Paulo, pertence ao ex-presidente Lula. A conta é do internauta Eduardo Rodrigues Chaves. Confira seu raciocínio:

São quase 300 pessoas trabalhando para provar que o triplex é do Lula.
Os vencimentos de juiz e procurador está na faixa de 40 mil reais e um custo para a administração de 80 mil. São quase 20 procuradores e juízes auxiliares.
Custo: 1 milhão e 600 mil por mês.
300 funcionários a 15 mil reais. 4,5 milhões.
Total= DOIS TRIPLEX POR MÊS.
3 anos de investigação: 156 milhões para provar que o triplex de milhões é do Lula.


A investigação de supostos R$156 milhões (se não isso, ao menos uns bons milhões) aponta que o apartamento teria sido uma propina da construtora OAS dada ao petista em troca de contratos firmados em obras com a Petrobras.

Toda a apuração, conduzida pelo juiz Sérgio Moro, não apresentou até hoje sequer uma evidência concreta sequer que prove que o apartamento é do ex-presidente e se pautou, até então, em boatos de vizinhança, documentos não assinados e delações premiadas de executivos e políticos presos.

A defesa de Lula, por sua vez, apresentou nesta semana as alegações finais do processo em que trás um documento que, segundo os advogados, prova de forma irrefutável que o imóvel não pertencia ao ex-presidente, já que se trata de uma comprovação que um fundo da Caixa Econômica Federal obteve, da OAS, 100% dos direitos do apartamento em 2010.


Revista Forum

Janot pode denunciar Temer quatro vezes e aumentar desgaste político

Foto: Agência CNJ


O governo Michel Temer deve se preparar para um cenário um pouco pior do que imagina em relação à denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente, em função das revelações da JBS. Isso porque, segundo informações da jornalista Lydia Medeiros, Rodrigo Janot deve fatiar em quatro a denúncia contra Temer.

Isso significa que Temer deverá ser processado em quatro frentes, por corrupção passiva, organização criminosa, obstrução de Justiça e prevaricação.

A estratégia aumenta a crise política porque, para abrir cada uma das ações penais contra Temer, o Supremo Tribunal Federal deverá requerer autorização da Câmara que, por dois terços dos deputados, deverá avalizar a iniciativa de Janot. Ou seja, serão necessárias quatro votações, e não apenas uma, como espera o governo, "provocando um intenso desgaste político".

"Janot tem impressionado pela contundência das acusações. Há gente convencida de que o procurador-geral ainda esconde trunfos na guerra aberta com o presidente da República", informou a Lydia, em O Globo desta quinta (22).

Temer é alvo da PGR desde que o empresário Joesley Batista entregou à Lava Janot uma gravação em que o presidente aparece supostamente dando aval à compra de silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro. Além disso, Temer ouviu Joesley falar em atos para obstruir a Lava Jato e meios de interferir no Cade em favor do grupo, e nada fez.


Luis Nassf
Jornal GGN

Brasil, um pária das Relações Internacionais

por Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais 

O atual isolamento do Brasil decorre essencialmente de uma política externa equivocada, que colide com as grandes tendências geopolíticas mundiais
Beto Barata/PR

Temer na reunião do G20: anônimo, desconfortável e literalmente escanteado

Por Marcelo Zero

Com o golpe, o Brasil se tornou um pária das Relações Internacionais. Como efeito, ninguém quer muita conversa com um governo que surgiu da “assembleia-geral de bandidos” de Eduardo Cunha e que já foi definido como a “quadrilha mais perigosa” do país.

Em cenário inconcebível há pouco tempo, líderes mundiais vêm à América do Sul sem passar pelo Brasil, o maior país do subcontinente.

Angela Merkel visitou a Argentina há poucas semanas e voou direto para o México, sem sequer fazer uma pequena escala em Brasília. Sergio Matarella, presidente italiano, também esteve recentemente em Buenos Aires e Montevidéu, mas evitou contatos com governo da “turma da sangria”.

Em janeiro, François Hollande esteve no Chile e na Colômbia, mas recusou-se a fazer visita oficial aos golpistas. Mesmo o generoso Papa Francisco tem se recusado a vir ao Brasil, maior país católico do mundo, por receio a uma associação espiritual e moralmente condenável.

Até agora, o governo do golpe só conseguiu ser anfitrião de Macri, que se dispôs a vir ao Brasil para alinhar-se ao governo golpista com o intuito de expulsar a Venezuela do Mercosul.

Nas pouquíssimas viagens internacionais, a situação não é melhor. Em sua estreia no cenário mundial, a imagem patética percorreu o mundo: Temer, anônimo, desconfortável, literalmente escanteado na foto oficial do G20, a qual revelou, de forma crua, incontestável, o isolamento de um governante sem um único voto, que causa constrangimento e embaraço por onde passa.

No cenário internacional, o “fora Temer” sempre foi uma realidade.

A viagem à Rússia não mudará esse fato. Moscou está preocupado com a guinada escancarada pró-EUA da política externa brasileira. Quer preservar uma relação estratégica com um Estado que faz parte do BRICS. Engole Temer para continuar próximo ao Brasil.

Ninguém pode culpar a comunidade internacional por evitar contatos maiores com um governo ilegítimo e corrupto, fruto de um anacrônico golpe de Estado, que nos fez retroceder ao lamentável status de uma república bananeira.

Política externa "ativa e altiva"

Mas a questão maior não é essa. O atual isolamento do Brasil decorre essencialmente de uma política externa equivocada, que colide com as grandes tendências geopolíticas mundiais.

Nos anos pré-golpe, a política externa “ativa e altiva” dos governos progressistas alterou profundamente a inserção internacional do país.

As relações bilaterais foram diversificadas, ampliaram-se as parcerias estratégicas com países emergentes, investiu-se mais na integração regional e a cooperação Sul-Sul adquiriu centralidade.

Abandonou-se a ideia ingênua de que a submissão aos desígnios da única superpotência e a inclusão acrítica no processo de globalização nos faria aceder a um Brave New World de independência e prosperidade.

Enterrou-se a agenda regressiva da ALCA assimétrica, e o Brasil passou a criar espaços próprios de influência, articulando-se com outros emergentes em foros como o BRICS.

Investimos no multilateralismo e na conformação de um mundo menos desigual.

Com essa política externa, acumulamos superávit comercial de US$ 308 bilhões (até 2014) e reservas líquidas de US$ 375 bilhões e eliminamos nossa dívida externa líquida.

Tornamos-nos credores internacionais, inclusive do FMI, aumentamos nossa participação no comércio mundial de 0,88% (2001) para 1,46% (2011) e obtivemos protagonismo mundial inédito, com Lula se convertendo numa liderança internacional cortejada e respeitada, figura central em qualquer foro mundial.

Celso Amorim chegou a ser classificado como o melhor chanceler do mundo, pela prestigiada revista Foreign Policy. Ao contrário do que diz o ridículo clichê conservador, foi justamente na época dessa política externa “isolacionista” que o Brasil teve mais influência no mundo.

Agora, contudo, o governo ilegítimo substituiu a política externa altiva e ativa por uma política externa omissa e submissa. Trata-se, na realidade, de mero aggiornamento da fracassada política externa dos tristes e descalços tempos de FHC, que, ao buscar a chamada “autonomia pela integração”, conseguiu apenas mais dependência, menos integração e protagonismo reduzido.

Apostando tudo nas relações bilaterais com os EUA nos tornamos um país menor, de escasso prestígio mundial, além de economicamente dependente e débil. Não chegamos ao ponto da Argentina, que conseguiu a proeza de ter “relaciones carnales” com os EUA, mas chegamos perto. Nossa soberania foi bastante bolinada.

No cômputo geral, todo esse disciplinado investimento vira-lata em dependência, combinado com a âncora cambial, resultou em déficit comercial total de US$ 8,6 bilhões em oito anos, reservas líquidas próprias de minguados US$ 16 bilhões, dívida externa líquida de 37% do PIB, uma participação no comércio mundial de mero 0,9 %, três idas ao FMI para pedir alívio financeiro e um baixo protagonismo internacional.

Entretanto, o retorno à mesma política externa fracassada ocorre num contexto inteiramente diverso. Na época de FHC, o mundo vivia o auge do paradigma neoliberal. O Consenso de Washington dominava corações e mentes.

As autoridades europeias e norte-americanas estavam empenhadíssimas na abertura comercial e financeira em todo o mundo, que era socada goela abaixo dos países em desenvolvimento.

Os EUA exerciam liderança praticamente inconteste na ordem mundial marcada pelo unilateralismo belicista.

Ademais, a economia e o comércio internacional iam de vento em popa, com pequenos sobressaltos causados por crises regionais e locais autocontidas.

No entanto, hoje o mundo vive a pior crise econômica desde a Grande Depressão de 1929.

Crise profunda e sistêmica causada justamente pela desregulamentação neoliberal, que aprofundou desigualdades e fez colapsar as economias reais.

O Consenso de Washington virou uma piada anacrônica e a liderança antes inconteste dos EUA atualmente convive com a ascensão meteórica do BRICS e fraturas entre seus aliados históricos.

Assim, a ordem mundial é hoje muito diferente da que prevaleceu na década de 1990, quando os ideólogos do “fim da História” proliferaram como fungos. Além disso, está claro que o novo governo norte-americano e alguns governos europeus não têm mais o menor interesse em promover livre comércio.

Dessa forma, a tragédia de ontem se repete hoje como farsa. Farsa guiada por inacreditável miopia estratégica.

Enquanto em quase todo o mundo há questionamentos referentes à globalização assimétrica guiada pelo fracassado neoliberalismo, o governo do golpe investe numa arcaica e ingênua integração às “cadeias internacionais de valor”, que nos fará chutar a escada do desenvolvimento, convertendo-nos definitivamente num país pequeno e periférico.

Em meio à venda do pré-sal, de terras e do patrimônio público a preço de banana, em meio a exercícios militares conjuntos com os EUA na Amazônia, em meio à ridícula adesão do país à OCDE, em meio à destruição do Mercosul e da integração regional, e, last but not least, em meio aos coices diplomáticos dos folclóricos chanceleres do PSDB, o governo do golpe cava o buraco onde será enterrada a soberania do Brasil.

Quem investe contra si mesmo vira pária. No máximo, vira-lata. Em qualquer cenário, é país a ser pouco visitado.

Marcelo Zero, brasileiro, sociólogo e especialista em Relações Internacionais, é contra golpes de Estado. Integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.
Carta Capital