Começa julgamento de soldado americano acusado de colaborar com WikiLeaks
Mais de três anos depois de sua prisão
no Iraque, soldado Bradley Manning, de 25 anos, pode ser condenado à
prisão perpétua em corte marcial
Começa nesta segunda-feira (3) o julgamento do soldado
americano Bradley Manning, acusado de promover o maior vazamento de
informação confidencial na história dos EUA. Seu julgamento tem início
mais de três anos após sua prisão no Iraque.
Manning admitiu o envio de materiais para o website WikiLeaks
e se declarou culpado
de acusações que resultariam em penas superiores a 20 anos de prisão. O
Exército dos EUA e o governo americano, entretanto, o acusam de "ajudar
o inimigo", o que pode levar à sentença de prisão perpétua. AP
Bradley Manning é escoltado em tribunal em Fort Meade antes de uma audiência preliminar (21/5)
O julgamento desta acusação mais séria e de outros 20
crimes começa nesta segunda-feira contra o ex-analista de inteligência
de 25 anos natural de Oklahoma.
Manning escolheu ser julgado por um juiz militar em vez de por um júri. É esperado que o julgamento dure até agosto.
Em fevereiro, Manning afirmou a juíza militar Denise Lind
que vazou o material para expor a "sede de sangue" do Exército
americano e seu desrespeito pela vida humana no Iraque e no Afeganistão.
Ele disse que não acreditava que a informação prejudicaria os EUA e
queria dar início a um debate sobre o papel do Exército e da política
externa.
Muitos daqueles que apoiam Manning enxergam nele um herói e um preso político. Outros o veem como um traidor.
Autoridades dos EUA afirmaram que os mais de 700 mil
relatórios de batalha do Afeganistão e do Iraque e telegramas do
Departamento de Estado enviados ao WikiLeaks colocaram a segurança
nacional em perigo.
O material que o WikiLeaks começou a publicar em 2010
documentava abusos sofridos por detentos iraquianos, um registro dos EUA
das mortes de civis no Iraque, e o fraco apoio dos EUA ao governo da
Tunísia - divulgação que, segundo os partidários de Manning, incentivou a
revolta popular que derrubou o presidente da Tunísia em 2011 e ajudou a
desencadear as revoltas no Oriente Médio conhecidas como Primavera Árabe
.
No mês passado, o governo concordou em aceitar a
confissão de culpa de Manning em relação a um dos crimes, envolvendo um
cabo diplomático resumindo discussões entre os EUA e autoridades da
Islândia sobre problemas financeiros no país.
Manning também reconheceu ter enviado ao WikiLeaks um
vídeo confidencial de 2007 de um ataque de helicóptero que matou civis,
incluindo um fotógrafo da agência Reuters. Uma investigação interna do
Exército concluiu que as tropas confundiram o equipamento do fotógrafo
com armas.
A divulgação dos documentos e do vídeo provocou
constrangimento dos EUA com seus aliados. O governo Obama disse que
Manning ameaçou contatos diplomáticos e militares importantes além de
estremecer a relação do governo americano com outros governos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário