Para Afif, há espaço para ser ministro e vice em SP
O novo ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, que toma posse hoje, pretende continuar como vice-governador de São Paulo e à disposição para assumir o Palácio dos Bandeirantes no caso até de vacância temporária do atual titular do cargo, Geraldo Alckmin.Para Afif, nada na lei o impede de ser exonerado da função do cargo de ministro por alguns dias. Ele então assumiria o governo de São Paulo. Em seguida, voltaria para Brasília onde a presidente Dilma Rousseff novamente o nomearia para seu cargo na Esplanada.
O fato de o Estado de São Paulo ser governado pelo PSDB e a administração federal estar nas mãos do PT não é impedimento, diz Afif. "Eu sou um servidor não de partido. Sou um servidor de governo", diz ele, que é filiado ao PSD, sigla criada pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.
Mas há o conflito entre dois entes federativos. Como ministro ele estará subordinado ao Palácio do Planalto e assim submeterá também todo o Estado de São Paulo ao poder federal quando estiver à frente do Bandeirantes. Afif discorda. E cita um caso histórico.
Guilherme Afif
"Em Minas Gerais, Tancredo Neves se elegeu governador em 1982 tendo Hélio Garcia como vice. Depois, o Hélio foi designado prefeito de Belo Horizonte e acumulou os cargos".
Apesar de sua disposição para manter seus dois cargos, Afif faz uma ressalva. "Quero ser muito claro que se houver alguma determinação, principalmente judicial, eu estou pronto para respeitar. Eu só não vou abrir mão de um mandato eletivo. Já abri mão de salário e de funções. Não estou fazendo nada contra a lei. A lei não proíbe."
Indagado sobre o que fará com uma pasta com orçamento anual diminuto (R$ 7 milhões), brinca. "Este é um ministério do verbo, e não da verba."
Sobre ter criticado Dilma Rousseff no passado, dizendo que ela no Planalto seria como entregar um Boeing para quem nunca havia pilotado um teco-teco, explica que foi "retórica de campanha". Mas ela sabe pilotar? "Ela aprendeu rápido."
No cargo de ministro, Afif pretende ser um facilitador de acordos que possam reduzir a burocracia que existe no país para abertura de empresas. Segundo ele, o Brasil é hoje um dos últimos colocados no ranking do Banco Mundial quando se trata de contar o número de dias necessário para formalizar a criação de um novo negócio.
O ministro diz ter identificado na presidente Dilma Rousseff uma "obsessão" pelo processo de desburocatização do país. O seu objetivo é mudar as regras para "não atrapalhar quem faz".
O processo terá unificar procedimentos de vários órgãos. "Temos de integrar a Receita Federal, as Juntas Comerciais, os Fiscos estaduais e municipais, órgãos do meio ambiente, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitáriaº, diz. O início deve ser pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ªque é onde há grande concentração de empreendedores." Depois, esse projeto piloto deverá ser estendido a todo o país.
Fernando Rodrigues
Folha de São Paulo

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