segunda-feira, 28 de junho de 2010

Hondurenhos protestam e Zelaya acusa EUA um ano após golpe

Milhares de hondurenhos convocados pela Frente Nacional de Resistência Popular lembraram nesta segunda-feira o primeiro aniversário do golpe de Estado que destituiu o ex-presidente Manuel Zelaya, que voltou a acusar o comando sul dos Estados Unidos de responsabilidade no caso.


Foto: AFP
Partidários do líder deposto Manuel Zelaya marcham em Tegucigalpa para lembrar primeiro aniversário do golpe

Os manifestantes saíram às ruas das principais cidades de Honduras para exigir o regresso de Zelaya, exilado desde janeiro na República Dominicana, e o estabelecimento de uma Assembleia Constituinte.

Na capital Tegucigalpa, centenas percorreram com total tranquilidade cerca de 10 quilômetros antes de chegar à Plaza de la Merced, no centro histórico da capital, para homenagear o general Francisco Morazán, líder da independência centro-americana.

Diferentemente do que ocorria nas manifestações realizadas sob o governo de fato de Roberto Micheletti, houve apenas a presença das forças da ordem nas ruas.
Somente a Casa Presidencial estava protegida com cordões e policiais antidistúrbios, além de soldados fortemente armados.

"Pedimos o retorno de Zelaya e a convocação de uma Assembleia Constituinte", disse Cindy Melissa Jirón, estudante de Medicina de 20 anos que participou da colorida passeata na qual não faltaram cartazes com fotos de Zelaya e de Che Guevara. Segundo ela, o desejo da população é que seja formado um novo Partido da Resistência, com apoio "do presidente Zelaya".

Gloria Vásquez, que integra juntamente com outros 500 advogados a plataforma da Resistência contra o Golpe, denunciou que, sob o governo de Porfirio Lobo, que se esforça para ser reconhecido pela comunidade internacional, "ainda há perseguição política".

Comissão da Verdade

Com apoio da Frente Nacional de Resistência Popular, a Plataforma de Direitos Humanos de Honduras instalou sua própria Comissão da Verdade para investigar violações após o golpe, em resposta a uma Comissão da Verdade instalada por Lobo, em maio.

"Seremos exigentes na busca dos fatos, justos na definição da verdade, mas implacáveis na denúncia das responsabilidades", disse a coordenadora do Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh), Bertha Oliva, ao instalar a Comissão da Verdade, integrada por dois hondurenhos e oito estrangeiros.

Ela acrescentou que "a Comissão da Verdade não nasce para prender a informação por dez anos nem para depositá-la entre os segredos do estado burguês, explorador, neoliberal e corrupto", em alusão à comissão instalada por Lobo.

Zelaya, que enviou da República Dominicana uma mensagem de solidariedade à Comissão da Verdade, disse nesta segunda-feira em carta aos hondurenhos que o golpe de Estado foi planejado pelo Comando sul dos EUA, na base militar local de Palmerola. "Tudo indica que o golpe foi idealizado na base militar de Palmerola e executado por hondurenhos", disse Zelaya.

Foto: AFP

Partidários do líder deposto Manuel Zelaya gritam slogans para soldados hondurenhos durante marcha para lembrar primeiro aniversário de golpe

Os EUA rejeitaram a acusação. A porta-voz do Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, Virginia Staab, declarou que Washington disse e repetirá: "O governo dos EUA não tinha conhecimento prévio nem estava envolvido no golpe" de Estado que derrubou Zelaya.

"Escrevo estas palavras para o povo de Honduras um ano depois daquela fatídica madrugada em que a casa onde eu morava com minha família sendo presidente da República foi rodeada pelas forças especiais dos militares", ressaltou Zelaya em sua mensagem, enviada por e-mail.

"Os autores intelectuais desse crime obedecem a uma formação de quadrilha dos velhos falcões de Washington com hondurenhos, proprietários de capitais e seus parceiros de subsidiárias americanas e agências financeiras", acrescentou.

Em sua mensagem à Comissão da Verdade, lida por sua esposa na cerimônia de instalação, Zelaya disse que a Comissão da Verdade e Reconciliação instalada por Lobo "não tem credibilidade" porque é "governista".

Acrescentou que não tem autonomia, não é independente, não é profissional nem é integrada por nenhum organismo internacional.


*Com EFE e AFP

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