O comando da Agência de Energia Atômica do Irã proibiu hoje (21) a entrada no país de dois inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), ligada às Nações Unidas. Os especialistas pretendiam visitar as instalações das usinas nucleares iranianas, mas o governo argumentou que os inspetores teriam produzido um relatório técnico baseado em informações supostamente falsas sobre o programa nuclear do país.
O veto aos especialistas ocorre no momento em que o Irã é alvo de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dos Estados Unidos e da União Europeia. As informações são da agência oficial de notícias da China, Xinhua. Apesar da proibição da vistoria, o governo Ahmadnejad informou ter pedido o envio de outros especialistas para inspecionar as instalações nucleares do país.
O diretor da agência, Ali Akbar Salehi, criticou o documento atribuído aos especialistas da Aiea. Salehi afirmou, porém, que o Irã se dispõe a cooperar com as Nações Unidas com o fornecimento de dados e a permissão de vistorias conduzidas por outros inspetores.
“Dois inspetores da Aiea apresentaram informações falsas sobre as atividades nucleares do Irã. Com base no acordo de salvaguardas, proibimos a entrada deles no Irã para a inspeção”, informou em nota a agência iraniana de energia.
Salehi afirmou que na última sessão do conselho de governadores da Aiea, foi manifestada a objeçãop do governo “ao relatório incorreto” dos dois inspectores. “O relatório foi irreal em sua totalidade", disse Salehi.
Ele reiterou que o Irã está comprometido com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), mas ressaltou que o desenvolvimento do programa nuclear está mantido. Também disse que o governo Ahmadinejad não exigirá nada que vá além do definido na ordem do direito internacional.
"Teerã não vai exigir nada além dos seus direitos legais, mas não vai desistir de seus direitos”.
Da Agência Brasil
Edição: Tereza Barbosa
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre o Irã foi um “equívoco”, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como um “equívoco” a decisão” tomada hoje (9) pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de impor sanções ao Irã. Para Lula, a decisão foi tomada por “birra” e joga fora a oportunidade de negociação com o Irã aberta por Brasil e Turquia.
“Em vez chamarem o Irã para a mesa [de negociação], eles resolveram, na minha opinião pessoal, apenas por birra, manter a sanção. Acho que foi um equívoco a tomada de decisão. Às vezes, me dá a impressão daquele pai duro que é obrigado a dar umas palmadas no filho, mesmo que ele não mereça. Acho que o Conselho de Segurança jogou fora uma oportunidade histórica de negociar tranquilamente o programa nuclear iraniano”, disse, depois de participar de evento em Natal (RN).
Segundo Lula, o Brasil e a Turquia, ao assinarem um acordo com o Irã sobre o enriquecimento de urânio, deram aos outros países a oportunidade de negociar e eles provaram que não queriam negociar. Mais uma vez, o presidente defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que a instância não representa mais a realidade política do mundo. Segundo ele, a decisão tomada hoje de impor sanções ao Irã enfraquece o conselho.
O presidente afirmou ter conversado por telefone, pela manhã, com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Ambos fecharam a posição de votar contra as sanções na reunião do conselho. “Espero que o companheiro Ahmadinejad [Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã] continue tranquilo”, completou Lula.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou no final da manhã de hoje um novo pacote de sanções contra o Irã. Dos 15 países que compõem o órgão, 12 votaram favoravelmente. Apenas o Brasil e a Turquia foram contrários e o Líbano se absteve.
Para a maioria dos integrantes do conselho, o programa nuclear iraniano é uma ameaça por esconder a produção de armas atômicas e não seguir as orientações da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
“Em vez chamarem o Irã para a mesa [de negociação], eles resolveram, na minha opinião pessoal, apenas por birra, manter a sanção. Acho que foi um equívoco a tomada de decisão. Às vezes, me dá a impressão daquele pai duro que é obrigado a dar umas palmadas no filho, mesmo que ele não mereça. Acho que o Conselho de Segurança jogou fora uma oportunidade histórica de negociar tranquilamente o programa nuclear iraniano”, disse, depois de participar de evento em Natal (RN).
Segundo Lula, o Brasil e a Turquia, ao assinarem um acordo com o Irã sobre o enriquecimento de urânio, deram aos outros países a oportunidade de negociar e eles provaram que não queriam negociar. Mais uma vez, o presidente defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que a instância não representa mais a realidade política do mundo. Segundo ele, a decisão tomada hoje de impor sanções ao Irã enfraquece o conselho.
O presidente afirmou ter conversado por telefone, pela manhã, com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Ambos fecharam a posição de votar contra as sanções na reunião do conselho. “Espero que o companheiro Ahmadinejad [Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã] continue tranquilo”, completou Lula.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou no final da manhã de hoje um novo pacote de sanções contra o Irã. Dos 15 países que compõem o órgão, 12 votaram favoravelmente. Apenas o Brasil e a Turquia foram contrários e o Líbano se absteve.
Para a maioria dos integrantes do conselho, o programa nuclear iraniano é uma ameaça por esconder a produção de armas atômicas e não seguir as orientações da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
domingo, 30 de maio de 2010
Lula responde aos EUA: São as armas nucleares e não os acordos com o Irã que tornam o mundo “mais perigoso”
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que são as armas nucleares e não os acordos com o Irã que tornam o mundo “mais perigoso”, em resposta às afirmações da secretária de Estado norteamericana, Hillary Clinton, que alegou que o acordo nuclear negociado entre o Brasil e a Turquia com o Irã para o intercâmbio de urânio era “para ganhar tempo” e que “comprar tempo para o Irã torna o mundo um lugar mais perigoso, não menos”.Brasil e Turquia foram os gestores da Declaração de Teerã, assinada em 17 de maio, na qual o Irã se compromete a enviar para a Turquia 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5 por cento e receberia de volta o produto enriquecido a 20 por cento para ser utilizado com fins médicos. Embora num primeiro momento parecia que ambos os países agiam com o aval da Casa Branca, logo se comprovou que não era assim, para o contragosto de Lula, que não deixa de criticar que agora Barack Obama se oponha ao mesmo que ele, no mês passado, tinha lhes pedido através de carta. Hillary Clinton disse na quarta-feira que seu país tinha “sérias divergências com a política diplomática do Brasil em relação ao Irã”.
Ontem, durante a reunião do Fórum da Aliança das Civilizações – que justamente tem como objetivo unir o mundo ocidental e o árabe – no Rio de Janeiro, o presidente brasileiro respondeu à secretária. Sem nomear nomes, Lula criticou duramente os Estados Unidos questionando aqueles que usam a “tese sobre uma suposta divisão de civilizações” como “um pretexto para ações bélicas, chamadas de preventivas”.
Juntamente com Lula, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan defendeu o acordo nuclear com o Irã, como forma de alcançar a paz mundial. “Quando ouço as pessoas falando de impedir o Irã de obter armas nucleares, aqueles que falam possuem armas nucleares. O Brasil e a Turquia não têm armas nucleares, nem as queremos em nossa região”, disse o chefe do governo turco. “Havia apenas uma razão pela qual o presidente Lula e eu fossemos a Teerã, essa razão é alcançar a paz mundial. Não podemos alcançar a paz mundial com a proliferação nuclear”, explicou Erdogan, descrevendo o acordo com o Irã como “uma vitória diplomática”.
Lula o acompanhou, ao afirmar que o pacto com o regime iraniano foi o começo de uma solução negociada “para um conflito que ameaça muito mais do que a estabilidade de uma importante região do planeta”.
Outro participante do Fórum do Rio foi o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que pediu tempo para avaliar o acordo nuclear entre o Irã, Brasil e Turquia, mas que em princípio o apoiava. “Eles criaram uma nova oportunidade de eliminar as dúvidas sobre este problema”, disse ele. “Agora, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve dar a sua posição e o próximo passo é ver as reações e esperar”, acrescentou o egípcio, que há nove anos está à frente da Liga Árabe.
Agência de Notícias Nova Colômbia - 29/05/2010
sábado, 22 de maio de 2010
ONU diz que acordo com o Irã abre caminho para negociações diplomáticas
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse hoje (21) que espera que o acordo aprovado pelo Irã, com a mediação do Brasil e da Turquia, abra caminho para resolver, por meios diplomáticos, a polêmica sobre o programa nuclear iraniano. Ele ressaltou que o acordo deve ser analisado pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). As informações são da BBC Brasil.
“Já mencionei o bem-vindo papel da Turquia, trabalhando juntamente com o Brasil, em relação ao Irã”, afirmou Moon, durante discurso em Istambul, na Turquia. "Esperamos que esta e outras iniciativas abram caminho para uma solução negociada."
A reação de Moon ocorre no momento em que os Estados Unidos defenderam, durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, a aprovação de um esboço de resolução fixando sanções contra o Irã. Para os norte-americanos, os iranianos produzem, de forma secreta, armas atômicas no seu programa nuclear.
O governo do Irã informou hoje que, até segunda-feira (24), enviará uma carta com os detalhes do acordo para a Aiea. Paralelamente, a assessoria do primeiro-ministro da Turquia, Tayyp Erdogan, citou a correspondência que ele encaminhou ao presidente norte-americano, Barack Obama. "A Declaração de Teerã [nome oficial do acordo] não encerra o caso do programa nuclear iraniano, mas abre uma importante porta para uma solução por meios diplomáticos”, diz a carta de Erdogan.
"A Turquia continuará seus esforços para [encontrar] uma solução para o problema." Erdogan disse ter conversado, ao longo desta semana, com Obama, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e com o novo premiê britânico, David Cameron. Analistas afirmam que, dos 15 países integrantes do órgão da ONU, apenas três – Brasil, Turquia e Líbano, que ocupam assentos temporários – não aprovariam a resolução com as sanções.
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de abusarem de sua posição de país-sede da ONU, por negar visto de entrada para o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano. Os Estados Unidos não comentaram as alegações.
“Já mencionei o bem-vindo papel da Turquia, trabalhando juntamente com o Brasil, em relação ao Irã”, afirmou Moon, durante discurso em Istambul, na Turquia. "Esperamos que esta e outras iniciativas abram caminho para uma solução negociada."
A reação de Moon ocorre no momento em que os Estados Unidos defenderam, durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, a aprovação de um esboço de resolução fixando sanções contra o Irã. Para os norte-americanos, os iranianos produzem, de forma secreta, armas atômicas no seu programa nuclear.
O governo do Irã informou hoje que, até segunda-feira (24), enviará uma carta com os detalhes do acordo para a Aiea. Paralelamente, a assessoria do primeiro-ministro da Turquia, Tayyp Erdogan, citou a correspondência que ele encaminhou ao presidente norte-americano, Barack Obama. "A Declaração de Teerã [nome oficial do acordo] não encerra o caso do programa nuclear iraniano, mas abre uma importante porta para uma solução por meios diplomáticos”, diz a carta de Erdogan.
"A Turquia continuará seus esforços para [encontrar] uma solução para o problema." Erdogan disse ter conversado, ao longo desta semana, com Obama, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e com o novo premiê britânico, David Cameron. Analistas afirmam que, dos 15 países integrantes do órgão da ONU, apenas três – Brasil, Turquia e Líbano, que ocupam assentos temporários – não aprovariam a resolução com as sanções.
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de abusarem de sua posição de país-sede da ONU, por negar visto de entrada para o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano. Os Estados Unidos não comentaram as alegações.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Sucesso do acordo com o Irã depende da disposição da ONU para negociar, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (19) que depende do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sentar com disposição de negociar o acordo que o Brasil e a Turquia conseguiram com o Irã. “Se sentar sem querer negociar, vai voltar tudo à estaca zero.”
Segundo Lula, o acordo é “exatamente o que os Estados Unidos queriam fazer há cinco, seis meses”. Ontem, os Estados Unidos entregaram ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta de sanções ao Irã, com o apoio dos outros países que têm vaga permanente no grupo.
Lula tem falado pouco sobre o acordo. Depois que voltou de Teerã e foi para Madri, apenas comentou em discursos a repercussão da promessa feita pelo Irã. Ao responder a jornalistas sobre a mudança de posição da Rússia e da China sobre as sanções – os dois países deram apoio ao acordo e depois ficaram do lado norte-americano – Lula limitou-se a dizer que “são grandes amigos”.
Em discurso no seminário Aliança para Nova Economia Global, o presidente brasileiro criticou a ONU e disse não concordar com a atual governança global. “Apesar de 140 países terem assinado a reforma das Nações Unidas, quem já está sentado na cadeira não quer mudar”, destacou.
Lula ainda disse que há países que não querem que a ONU seja fortalecida. Para ele, há quem pense que, quanto mais fracas forem as Nações Unidas, mais decisões serão unilaterais, predominando a ideia dos países mais fortes. E concluiu: “Se a ONU continuar assim, nós vamos ter problema sério de governança global”.
Também sobraram críticas para os países que não socorreram rapidamente a Grécia, que enfrenta forte crise econômica. O presidente brasileiro disse não entender por que países como a Alemanha demoraram tanto tempo para resolver o problema do vizinho grego.
Ele defendeu o presidente do governo espanhol, José Luís Zapatero, diante da recessão econômica que o país vive. Lula afirmou que os responsáveis não assumem a culpa. “Essa crise é mais profunda. O responsável por essa crise finge que não é com ele.”
Lula alertou que a crise na região ainda não passou e não se sabe os seus efeitos. Ele comparou a situação com o vulcão da geleira Eyjafjallajoekull, na Islândia, Norte da Europa: “A crise tá que nem o vulcão na Islândia: todo dia soltando um pouquinho de fumaça preta, atrapalhando o [tráfego] aéreo”.
O seminário do qual Lula participou em Madri reuniu empresários, políticos e intelectuais espanhóis e serviu para atrair investidores para o país. Lula deu garantia de que as eleições no Brasil não vão desviar a política econômica adotada.
“Tenho a convicção de que vou eleger a minha candidata”, disse o presidente, referindo-se à ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Para ele, “essa ex-guerrilheira [Dilma, que foi militante de um grupo de combate à ditadura militar] pode ser a próxima presidente da República”.
Logo em seguida, também se lembrou dos outros candidatos. Afirmou que Marina Silva, pré-candidata do PV, já foi de seu partido e também ministra do governo. Sobre o candidato tucano, José Serra, Lula disse todos o conhecem por aqui: “O Serra, apesar de ser do PSDB, é amigo de todo mundo aqui”.
Ele concluiu, tranquilizando os investidores espanhóis: “Acho que será muito difícil quem ganhar as eleições mudar o Brasil para que volte ao que era antes, não existe espaço. O Brasil aprendeu a ser sério.”
Carina Dourado - Agência Brasil
Segundo Lula, o acordo é “exatamente o que os Estados Unidos queriam fazer há cinco, seis meses”. Ontem, os Estados Unidos entregaram ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta de sanções ao Irã, com o apoio dos outros países que têm vaga permanente no grupo.
Lula tem falado pouco sobre o acordo. Depois que voltou de Teerã e foi para Madri, apenas comentou em discursos a repercussão da promessa feita pelo Irã. Ao responder a jornalistas sobre a mudança de posição da Rússia e da China sobre as sanções – os dois países deram apoio ao acordo e depois ficaram do lado norte-americano – Lula limitou-se a dizer que “são grandes amigos”.
Em discurso no seminário Aliança para Nova Economia Global, o presidente brasileiro criticou a ONU e disse não concordar com a atual governança global. “Apesar de 140 países terem assinado a reforma das Nações Unidas, quem já está sentado na cadeira não quer mudar”, destacou.
Lula ainda disse que há países que não querem que a ONU seja fortalecida. Para ele, há quem pense que, quanto mais fracas forem as Nações Unidas, mais decisões serão unilaterais, predominando a ideia dos países mais fortes. E concluiu: “Se a ONU continuar assim, nós vamos ter problema sério de governança global”.
Também sobraram críticas para os países que não socorreram rapidamente a Grécia, que enfrenta forte crise econômica. O presidente brasileiro disse não entender por que países como a Alemanha demoraram tanto tempo para resolver o problema do vizinho grego.
Ele defendeu o presidente do governo espanhol, José Luís Zapatero, diante da recessão econômica que o país vive. Lula afirmou que os responsáveis não assumem a culpa. “Essa crise é mais profunda. O responsável por essa crise finge que não é com ele.”
Lula alertou que a crise na região ainda não passou e não se sabe os seus efeitos. Ele comparou a situação com o vulcão da geleira Eyjafjallajoekull, na Islândia, Norte da Europa: “A crise tá que nem o vulcão na Islândia: todo dia soltando um pouquinho de fumaça preta, atrapalhando o [tráfego] aéreo”.
O seminário do qual Lula participou em Madri reuniu empresários, políticos e intelectuais espanhóis e serviu para atrair investidores para o país. Lula deu garantia de que as eleições no Brasil não vão desviar a política econômica adotada.
“Tenho a convicção de que vou eleger a minha candidata”, disse o presidente, referindo-se à ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Para ele, “essa ex-guerrilheira [Dilma, que foi militante de um grupo de combate à ditadura militar] pode ser a próxima presidente da República”.
Logo em seguida, também se lembrou dos outros candidatos. Afirmou que Marina Silva, pré-candidata do PV, já foi de seu partido e também ministra do governo. Sobre o candidato tucano, José Serra, Lula disse todos o conhecem por aqui: “O Serra, apesar de ser do PSDB, é amigo de todo mundo aqui”.
Ele concluiu, tranquilizando os investidores espanhóis: “Acho que será muito difícil quem ganhar as eleições mudar o Brasil para que volte ao que era antes, não existe espaço. O Brasil aprendeu a ser sério.”
Carina Dourado - Agência Brasil
sábado, 15 de maio de 2010
Presidente da Rússia afirma que chance de acordo com Irã é de 30%, Lula se diz mais otimista
A exemplo do Brasil, o governo russo busca o diálogo como alternativa para evitar sanções ao Irã impostas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Membro permanente do órgão, a Rússia tem direito a veto – ao lado dos Estados Unidos, da França, China e Inglaterra.
Para Medvedev, a visita de Lula ao Irã pode ser a última tentativa de um acordo antes que a comunidade internacional aplique sanções ao país. "A minha missão é menos complicada do que a do presidente Lula. Eu fico em Moscou, ele vai a Teerã [capital do Irã]. Não vai ser uma viagem muito simples”, avaliou.
De acordo com o líder russo, para que o acordo dê certo, o uso da energia nuclear feito pelo Irã deve ser pacífico e controlável pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). O país deve ainda coordenar seus esforços junto com a agência, acrescentou Medvedev.
Durante a entrevista coletiva no Kremlin, sede do governo russo, Lula afirmou que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tem um “lado interessante”, por meio do qual se pode construir o acordo nuclear.
Ele disse também que vai a Teerã com a convicção de há condições de o acordo ser firmado, mas que, se isso não for possível, volta para casa satisfeito por não ter sido omisso.
O presidente brasileiro segue ainda hoje para uma rápida visita ao Catar. Amanhã (15), Lula se reúne com Ahmadinejad.
Carina Dourado* e Paula Laboissière
Repórteres da EBC
quinta-feira, 4 de março de 2010
Amorim diz que Brasil "não vai se curvar" à pressão dos EUA contra o Irã
As divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre o programa nuclear do Irã provocaram hoje (3) uma dura reação por parte do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou que o Brasil tem posições bem definidas orientadas por sua convicção e por esta razão “não vai se curvar” às pressões dos Estados Unidos - que defendem sanções contra os iranianos.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ouviu a afirmação e acusou os iranianos de mentir sobre planos para a fabricação de armas nucleares.
“Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação”, afirmou Amorim, ao lado da secretária de Estado. “Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça.”
Amorim reafirmou que o governo brasileiro acredita que há condições de buscar um acordo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “A questão é de saber qual o melhor caminho para chegar lá ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação. Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte”, disse o chanceler.
As afirmações do ministro ocorreram durante entrevista coletiva da qual também participou Hillary. Sem modificar sua expressão facial, a secretária acusou o governo de Ahmadinejad de mentir sobre informações relativas à produção de armas nucleares. Segundo ela, os iranianos fornecem dados desencontrados em cada lugar que vão, incluindo o Brasil e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
“O que observamos é que o Irã vai para o Brasil, China e Turquia e conta histórias diferentes para evitar as sanções. Nós continuaremos a discutir essas questões”, afirmou a secretária. “O presidente [Barack] Obama tem feito gestos em relação ao Irã há mais de um ano, mas infelizmente não teve um sinal recíproco.”
Para a secretária, apesar de os Estados Unidos se disporem a negociar com o Irã, as chances são limitadas por causa da falta de interesse do Irã. Ela avalia que o ideal seria buscar um caminho pacífico. “Nós acreditamos que um esforço em favor das negociações, de boa fé, por parte do Irã seriam bem aceitos. Temos de fazer tudo pacificamente para evitar. Vamos continuar a consultar o Brasil”, disse ela.
Evitando detalhar quais são sanções econômicas os Estados Unidos defendem contra o Irã, Hillary afirmou que os iranianos deverão reagir e buscar as negociações somente depois de se verem ameaçados de punição.
“Eu reiteraria que a nossa porta está sempre aberta para as negociações. Ninguém prefere as sanções, nós preferiríamos negociar. A partir do momento que a comunidade internacional fale em uma resolução sobre sanções, é a partir daí vão querer negociar”, disse.
A reação de Amorim foi mais energética do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, momentos antes da entrevista coletiva entre o chanceler brasileiro e a secretária norte-americana. O presidente sinalizou que o Brasil poderia flexibilizar em relação ao Irã.
“Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar", disse Lula.
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ouviu a afirmação e acusou os iranianos de mentir sobre planos para a fabricação de armas nucleares.
“Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação”, afirmou Amorim, ao lado da secretária de Estado. “Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça.”
Amorim reafirmou que o governo brasileiro acredita que há condições de buscar um acordo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “A questão é de saber qual o melhor caminho para chegar lá ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação. Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte”, disse o chanceler.
As afirmações do ministro ocorreram durante entrevista coletiva da qual também participou Hillary. Sem modificar sua expressão facial, a secretária acusou o governo de Ahmadinejad de mentir sobre informações relativas à produção de armas nucleares. Segundo ela, os iranianos fornecem dados desencontrados em cada lugar que vão, incluindo o Brasil e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
“O que observamos é que o Irã vai para o Brasil, China e Turquia e conta histórias diferentes para evitar as sanções. Nós continuaremos a discutir essas questões”, afirmou a secretária. “O presidente [Barack] Obama tem feito gestos em relação ao Irã há mais de um ano, mas infelizmente não teve um sinal recíproco.”
Para a secretária, apesar de os Estados Unidos se disporem a negociar com o Irã, as chances são limitadas por causa da falta de interesse do Irã. Ela avalia que o ideal seria buscar um caminho pacífico. “Nós acreditamos que um esforço em favor das negociações, de boa fé, por parte do Irã seriam bem aceitos. Temos de fazer tudo pacificamente para evitar. Vamos continuar a consultar o Brasil”, disse ela.
Evitando detalhar quais são sanções econômicas os Estados Unidos defendem contra o Irã, Hillary afirmou que os iranianos deverão reagir e buscar as negociações somente depois de se verem ameaçados de punição.
“Eu reiteraria que a nossa porta está sempre aberta para as negociações. Ninguém prefere as sanções, nós preferiríamos negociar. A partir do momento que a comunidade internacional fale em uma resolução sobre sanções, é a partir daí vão querer negociar”, disse.
A reação de Amorim foi mais energética do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, momentos antes da entrevista coletiva entre o chanceler brasileiro e a secretária norte-americana. O presidente sinalizou que o Brasil poderia flexibilizar em relação ao Irã.
“Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar", disse Lula.
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
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