O ministro da Alimentação da Venezuela, Félix Osorio, anunciou
a aprovação de US$ 1,765 bilhão para importar do Brasil 429 mil
toneladas de alimentos como carne, frango, leite em pó e margarina. A
medida, anunciada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (21), também
envolverá outros países, na tentativa de melhorar o abastecimento do
país. Ao todo, o governo Nicolás Maduro prevê que 2,3 milhões de
toneladas de alimentos cheguem à Venezuela durante o ano.
Félix Osorio anunciou também a aprovação de recursos para a compra de
alimentos de outros países do continente. Num esforço de
"sobreabastecimento" previsto para quatro meses, o governo vai injetar
US$ 715 milhões para a importar da Argentina 844 mil toneladas de
produtos como leite em pó, arroz, milho branco e amarelo, derivados da
soja, margarina e atum.
De acordo com o ministro, o esforço para importar produtos que costumam
faltar nas prateleiras dos mercados locais é necessário para “atender a
conjuntura” da “guerra econômica”, que, segundo o governo, é promovida
pela oposição e setores do empresariado.
Em janeiro, o índice de desabastecimento chegou a 28%, segundo dados do
Banco Central da Venezuela. Para tentar impedir compras constantes para a
revenda e contrabando de produtos básicos nos pontos estatais de vendas
de alimentos — em alguns dos quais há subsídios que superam os 80% —, o
ministro anunciou que um sistema de registro de consumidores, não
obrigatório, funcionará a partir de abril para garantir o abastecimento.
Cooperação com calçados e farmacêuticas
Na noite de ontem, empresários do setor farmacêutico e de calçados
assinaram acordos de entendimento e cooperação, na sede presidencial,
para comercialização a “preços justos”. Estiveram presentes no ato
representantes de marcas como Converse, Oakley, Nike, Volpe, Fila e
Adidas, e de redes de farmácias do país. Para Maduro, a nova lei que
fixa um lucro máximo de 30% para todos os atores da cadeia de
comercialização deve superar a especulação.
A normativa é criticada por empresários, que, por sua vez, se queixam da
dificuldade de acesso a dólares para a importação de bens e insumos
para a produção. A expectativa é que o novo mecanismo de compra de
dólares denominado Sicad 2 (Sistema Complementar de Administração de
Divisas) ajude a atender a demanda. Às vésperas de sua implementação,
anunciada para a próxima segunda-feira (24/03), o valor da moeda
norte-americana no mercado paralelo vem diminuindo.
O acesso a divisas para pagamento de compromissos com fornecedores
internacionais foi assunto discutido em mesas de trabalho entre o
governo e o setor privado. As reuniões foram consequência da Conferência
de Paz iniciada para solucionar a crise no país, que vive uma onda de
protestos contra o governo há mais de um mês, deixando 31 mortos e
centenas de feridos.
Na noite de ontem, Maduro afirmou que os protestos geraram perdas
materiais da ordem de 10 bilhões de dólares. Apesar da difícil
conjuntura, a taxa de desemprego na Venezuela se situou em 7,2% em
fevereiro, mostrando uma leve queda em relação ao mesmo período do ano
passado, quando registrava 7,6%, e de 2012, quando chegava a 9,2%,
segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do país.
Fonte: Opera Mundi
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