A manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público que ocorre nesta segunda-feira (17) na capital paulista se concentrou no Largo da Batata, zona oeste da cidade e dividiu-se em três frentes: o maior grupo ocupou parte da Avenida Brigadeiro Faria Lima e os dois grupos menores foram para a Avenida Paulista e para o Palácio do governo.
Concentração da manifestação, no Largo do Batata, na capital paulista. (Foto: Daniel Teixeira/AE)A mobilização ocorrida em grande parte pela internet foi uma resposta à violência da Tropa de Choque da Polícia Militar que havia tentado reprimir os últimos protestos, principalmente o que ocorreu na quinta-feira (13) passada. O governo do Estado, desta vez não mandou sua tropa. “Que coincidência, sem a PM não teve violência”, gritam os manifestantes a todo instante ao longo do percurso.
Jovens, idosos, homens e mulheres, oriundos de todas as regiões da capital engrossaram a manifestação, que por onde passaram tiveram a simpatia de mais pessoas e até de motoristas, que demonstram afinidade com os protestos, de dentro dos seus carros.
Muitas faixas e cartazes pedem a revogação da tarifa do transporte coletivo, mas dizem que “Não estamos aqui só pelos R$ 0,20”. Por volta das 18h30 quando a passeata saiu do Largo do Batata, houve uma divisão da enorme manifestação que se formou. Um grupo seguiu para a Marginal Pinheiros, outro rumo à Avenida Paulista e outro permaneceu na região da Faria Lima.
A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virginia Barros, destacou o principal objetivo do movimento. “Hoje estamos nas ruas não somente contra o aumento da tarifa do transporte coletivo, a manifestação é também uma reação contra a repressão que está ocorrendo nos protestos, o povo está pedindo pacificamente. Para melhorar a vida da cidade, o povo está na rua”, completou.
Para Vic – como é chamada – essa é uma oportunidade de debater o sistema do transporte coletivo em todo país. “Queremos participar da discussão sobre o transporte público, nos conselhos municipais do transporte, queremos que o governo cumpra o enfrentamento para redução da margem de lucro e assim o valor da passagem torne mais acessível para o conjunto da população”, ressaltou.
Para Mateus Fiorentini, membro executivo da Organização Continental Latino Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE) "essa mobilização no Brasil vem junto com uma onda de protestos juvenis que ocupam a America latina, como no Chile, que lutam por educação pública e de qualidade, e dos estudantes na Colômbia que pedem paz”.
Segundo Fiorentini, trata-se de uma reação contra a onda conservadora que existe no mundo, e principalmente em relação à crise do capital que se reflete negativamente na classe trabalhadora e estudantil.
A secretária de movimentos sociais do PCdoB, Lúcia Stumpf também esteve presente à manifestação e defendeu a legitimidade dos movimentos. “Lutamos pelo direito de nos manifestar contra a tentativa de criminalizar o movimento social”.
Estão presentes também à manifestação, Manuela Braga, presidenta da Ubes (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) e Camilla Lima, presidenta da UJS (União da Juventude Socialista) de São Paulo que foi agredida na quinta-feira passada. Ela disse que veio para se manifestar contra a repressão.
Manifestantes concentram-se na sede do Governo do Estado
Um grupo se posicionou em frente aos dois portões do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, na zona sul. A situação ficou tensa e houve um principio de tumulto entre os policiais que cercam a sede do governo. Outro grupo com milhares de manifestantes que estavam na Avenida Paulista segue para o a sede do governo paulista. O policiamento foi reforçado no local.
Deborah Moreira
Portal Vermelho

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