Guerra da Síria faz ONU lançar maior apelo humanitário da história
Nações Unidas afirmam que agências
precisam de US$ 5,2 bilhões para ajudar cerca de 7 milhões que estão
dentro da Síria e os 1,5 milhão de refugiados
As Nações Unidas lançaram seu maior apelo humanitário da
história para ajudar milhões de sírios que sofrem os efeitos de um
conflito que se arrasta há mais de dois anos e sem sinais de que
terminará em breve.
As agências de ajuda humanitária da ONU e organizações
independentes necessitam de US$ 5,2 bilhões para financiar suas
operações na Síria e nos países vizinhos até o fim do ano, informou o
órgão mundial. AP
Valerie Amos informa sobre a situação da Síria em coletiva na sede europeia das Nações Unidas em Genebra, Suíça
Os dados apresentados em uma conferência
internacional em Genebra representa um forte crescimento dos US$ 3
bilhões que a ONU tinha estimado que precisaria anteriormente esse ano, e
dos quais apenas US$ 1,4 bilhão foram prometidos até agora.
"A situação se deterioriou drasticamente", disse Valerie
Amos, autoridade humanitária da ONU, de acordo com uma cópia do rascunho
de seu discurso a diplomatas na conferência. "A crise se intensificou e
se espalhou nas maiores partes da Síria."
No fim do ano passado, a ONU estimou que 4 milhões de
sírios precisavam de ajuda dentro do país, um número que subiu para
aproximadamente 7 milhões. Enquanto isso, o fluxo de refugiados para a
Jordânia, Líbano, Turquia, Iraque e Egito aumentou para cerca de 1,5
milhão. A população da Síria antes da guerra era estimada em 22 milhões.
"A miséria humana por trás desses números é terrível e
trágica", disse Amos, acrescentando que mais de 80 mil morreram desde
que a revolta contra o presidente Bashar al-Assad teve início em março
de 2011. "É estimado que os dois anos de conflito fez recuar o
desenvolvimento na Síria em 20 anos", acrescentou.
O órgão global disse que US$ 2,98 bilhões eram
necessários para ajudar populações que deixaram a Síria, e os outros US$
1,4 bilhões para pagar por operações de ajuda humanitária dentro do
país.
Comida e remédios são os suprimentos mais urgentes.
Muitos agricultores na Síria estão incapazes de cuidar de seus campos e o
preço de insumos básicos aumentou drasticamente nos últimos meses. O
Programa Mundial de Alimentação disse que os planos para fornecer
assistência a 4 milhões de pessoas dentro da Síria por volta de setembro
- em adição aos mais de 2 milhões de refugiados em países vizinhos -
será necessário US$ 1 bilhão este ano.
A Organização Mundial de Saúde alertou que a disseminação
de hepatite, tifóide, cólera e desenteria por causa do conflito é
inevitável. Um terço dos hospitais públicos na Síria não estão
funcionando e o abastecimento de água potável vem sendo interrompido,
segundo Amos.
Abrigos para refugiados também são outra prioridade.
Muitos dos que deixam a Síria vivem em condições sórdidas e às vezes
devem conviver com a superlotação, segundo o grupo Médicos Sem
Fronteiras. Líbano e Jordânia, que abrigam quase meio milhão de
refugiados sírios, pediram doações de US$ 450 milhões e US$ 380 milhões,
respectivamente.
Os esforços internacionais para trazer o governo sírio e
os grupos de oposição para a mesa de negociação sofreu um revés no
início da semana, quando os EUA e a Rússia reconheceram que não havia
chances de realizar a conferência de paz esse mês como estava previsto.
"Os níveis de destruição significam que mesmo que uma solução política
seja alcançada amanhã, a Síria precisaria de ajuda humanitária em 2014",
afirmou Amos.
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