quarta-feira, 19 de junho de 2013

Após bloqueio russo, G8 não menciona Assad em documento sobre Síria


O G8 divulgou nesta terça-feira documento final do encontro sobre o conflito na Síria sem fazer menção ao destino do ditador Bashar Assad. A decisão foi tomada após fortes divergências da Rússia, único membro do grupo que apoia o regime sírio.

O comunicado mostra uma nova divisão das potências em relação ao destino dos conflito, que já dura dois anos. Os outros sete membros do G8 --Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Canadá e Japão-- dão respaldo à oposição síria e abriram caminho para armar os grupos rebeldes.

As divergências ficaram evidentes nas entrevistas coletivas dos chefes de Estado e governo dos oito países, após o fim da cúpula. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o debate sobre a Síria foi o mais complicado de toda a reunião, embora todos concordem com uma solução política.

"Apoiamos com firmeza a proposta de uma conferência que conduza o conflito a uma solução política e condenamos qualquer uso de armas químicas e todas as violações de direitos humanos", afirmou.
Mesmo com o acordo político, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu que a importância de uma oposição forte na Síria para ser capaz de assumir o país após a saída de Assad.

Já o russo Vladimir Putin se mostrou contrário ao envio de armas aos rebeldes, embora tenha defendido a manutenção dos contratos com o regime sírio. Ele também disse desconfiar da versão ocidental do uso de armas químicas pelo regime sírio, mas disse não ter nenhuma prova da utilização do armamento.
 
SEM ACORDO

A falta de acordo já era prevista pelos diplomatas russos e ocidentais. Mais cedo, o vice-chanceler russo, Sergei Rybakov, havia dito que Moscou bloqueou todas as menções ao destino de Assad. "No fim do dia, vocês verão um documento sério e concreto sobre o destino na Síria que não será derrocado".

No documento, os países anunciam a liberação de US$ 1,5 bilhão (R$ 3,2 bilhões) em ajuda humanitária ao sírios, o compromisso na luta contra o terrorismo e a preservação da estabilidade no norte da África e no Oriente Médio, regiões mais atingidas pelo conflito sírio e por grupos radicais islâmicos.

Os oito integrantes ainda concordaram com a realização de uma conferência para a negociação da transição na Síria, a ser convocada nas próximas semanas. O evento, proposto em maio por Estados Unidos e Rússia, ainda não tem data definida devido a divergências na oposição síria e à presença do Irã e da Arábia Saudita.


Folha de São Paulo

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