Ato terminou em
confusão após direção sindical decidir encerrar greve mesmo com votação
sendo aparentemente a favor da continuidade
Terminou em briga generalizada a assembleia dos
professores da rede estadual de São Paulo ocorrida na tarde desta
sexta-feira na avenida Paulista. A direção da Apeoesp, o sindicato da
categoria, decretou o fim da greve após três semanas de paralisação,
depois de uma votação que mostrou divisão entre os presentes. Houve uma
aparente vitória do grupo que defendia a continuidade do movimento.
Revoltadas, essas pessoas encurralaram a direção sindical no caminhão de
som e jogaram objetos como latas, garrafas e até cones utilizados para
isolar o veículo do tráfego. A Polícia Militar, que acompanhava o ato,
entrou em ação e a cena foi de agressões por todos os lados.
Antes da votação, uma nova proposta teria sido feita
pelo governo aos professores nesta sexta-feira, o que teria contribuído
para que a greve acabasse. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação
ainda não se pronunciou sobre a suposta proposta ou sobre o fim da
paralisação docente.
De acordo com Maria Izabel Noronha, presidente da
Apeoesp, a decisão na assembleia foi clara. "Pelo menos 60% dos
professores que estiveram aqui votaram pelo fim da greve", disse ela. De
acordo com Izabel, há um grupo radical dentro do movimento que impede
que qualquer decisão que seja discordante em relação ao que eles pensam
seja levada adiante.
Com a confusão, o trânsito foi fechado na avenida
Paulista em ambos os sentidos na altura do Masp. O caminhão com a líder
sindical e representantes da imprensa só conseguiu sair do tumulto com a
escola da polícia. Manifestantes tentaram invadir o veículo e colocaram
fogo em papeis e outros materiais usados na manifestação. Aos
gritos de "que papelão, a Bebel (Maria Isabel) vai sair de camburão", o
carro de som com os membros da Apeoesp deixou a avenida Paulista.
"Foi votado e ganhou a suspensão da greve. Mas eles são
assim. Toda greve é isso. Até perdendo eles são assim. É uma dinâmica
deste movimento. É um grupo que se põe desta forma e não tem como mudar
isso", disse a presidente da entidade.
Ela definiu o grupo que se opôs à decisão como um grupo
radicalizado. "São extremistas que entendem que a greve tem de ir até a
morte. Na minha opinião, ficou a decisão foi clara. Eu não posso ter
dúvida daquilo que eu encaminho. Na semana passada, eles ganharam. Mas
hoje não ganharam", disse ela. Segundo a presidente do sindicato, a
adesão à greve caiu da semana passada para esta. "Hoje temos 10% da
categoria em greve. Como é que você mantém uma greve assim? Na semana
passada tínhamos 30%. Então, você suspender um movimento com 30% é
muito. Eles perdem e não aceitam", defendeu-se.
Desde a primeira assembleia, há três semanas, Maria
Izabel enfrentou oposição. Durante os discursos, foi sempre vaiada. "É
um pouco isso, estou acostumada. A gente sabe perfeitamente o momento
que tem de ser direção e eu ajo como direção. Eles são assim. É o PCO.
Vocês nunca ouviram falar do PCO? É uma ala extremista. Porque radical é
bom. São fundamentalistas", afirmou.
Maria Izabel lamentou os atos de violência na avenida
Paulista. "Eu só tenho a lamentar. A gente faz uma pesquisa para falar
sobre violência nas escolas, mas me parece que na relação com quem pensa
diferente, usam a violência. Eu não tenho esse comportamento. Eles me
vaiam e eu toco a assembleia tranquilamente. Eles vão ficar gritando
greve, mas eles não têm greve. Pergunta quantos por cento eles têm. Eu
acredito que ficou 60% (a favor do fim da greve) e 40% contra. Eles
trazem aluno para votar...", disse ela.


Nenhum comentário:
Postar um comentário