sexta-feira, 24 de maio de 2013

Filho de Jango diz que veneno produzido no Butantã matou seu pai


João Vicente Goulart revela suspeitas envolvendo a morte do presidente deposto e de que agentes secretos teriam se infiltrado em sua casa como empregados
Documentos exclusivos do Arquivo Nacional mostram que Jango era vigiado pelos militares, inclusive em momentos privados, como durante a festa de aniversário em que comemorou 55 anos  Foto: Arquivo Público / Agência Brasil
Documentos exclusivos do Arquivo Nacional mostram que Jango era vigiado pelos militares, inclusive em momentos privados, como durante a festa de aniversário em que comemorou 55 anos 
Foto: Arquivo Público / Agência Brasil
Desde o enterro, a família do ex-presidente brasileiro deposto pelo golpe militar de 1964, João Goulart, levanta suspeitas sobre sua morte, já que o caixão não pode ser aberto “sob hipótese alguma” por ordem dos militares que acompanharam toda a cerimônia, segundo relata João Vicente Goulart, filho de Jango, em entrevista ao Terra. “A certidão de óbito não dizia nada com nada, apenas ‘Muerte por enfermedad’ (morte por doença) e, o mais grave de tudo, que não foi feita a autópsia dos restos mortais, nem na Argentina e, tampouco, em nosso País”, afirma.

Recentemente, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) acatou o pedido da família de Jango de exumar o corpo para investigar qual foi a verdadeira causa da morte. Para conseguir indícios fortes de que seu pai foi assassinado, João Vicente chegou a se disfarçar para conseguir arrancar a verdade do ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neira, preso no Rio Grande do Sul, na entrevista concedida para um documentário produzido pela TV Senado, em 2006.


“(Ele) disse que a família não tinha motivos de interesse pelo acontecido... Nesse momento eu disse a ele: ‘olha, Mario, eu sou João Vicente, não sou repórter, e vim aqui para conhecer a verdade...’ Foi nesse momento que ele abriu o verbo sobre sua atuação na operação que havia culminado com a morte de meu pai”, diz, referindo-se a Operação Escorpião, montada para matar Jango.


Segundo ele, as investigações, atualmente, apontam que o composto usado para matar Jango teria sido produzido em solo brasileiro: “hoje, a investigação conduz a pegadas brasileiras: o composto teria sido produzido no Instituto Butantã”, afirma, acrescentando ainda que a família teve como empregados pessoas que, na verdade, eram agentes do Serviço Nacional de Informação (SNI).


A exumação ainda não tem data para acontecer, mas uma comissão com peritos brasileiros e estrangeiros está sendo montada, para atender as condições feitas pela família, para garantir a idoneidade do processo.


Portal Terra

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