Alívio em embargo de armas à Síria divide ministros da União Europeia
Reino Unido defende relaxamento do
embargo para que rebeldes possam ser armados, enquanto Áustria afirma
que isso vai de encontro ao caráter pacificador do bloco
Os países membros da União Europeia permanecem divididos
nesta segunda-feira (27) sobre a flexibilização das sanções contra a
Síria para permitir que carregamentos de armas sejam enviados para os
rebeldes que lutam contra o regime do presidente Bashar al-Assad.
O Reino Unido é o principal porta-voz daqueles
que concordam com o relaxamento do embargo de armas, mas enfrenta
oposição de alguns membros que afirmam que mais armas apenas aumentariam
o número de mortes e manchariam a reputação da União Europeia como um
pacificador.
AP
Chanceler britânico, William
Hague (esq), conversa com o chanceler belga Didier Reynders durante
encontro dos ministros da União Europeia
O chanceler da Áustria, cujo país se opõe a
armar os rebeldes, afirmou nesta segunda-feira que se não houver um
acordo, o embargo de armas poderia entrar em colapso.
"As posições estão muito distantes", disse o chanceler
alemão Guido Westerwelle. Ele afirmou que não estava claro se os
ministros das Relações Exteriores da União Europeia, que se encontram em
Bruxelas, chegariam a um acordo sobre a questão.
Assad vem usando artilharia pesada contra os rebeldes há
mais de dois anos. Mais de 70 mil morreram desde que a revolta contra o
regime de Assad teve início em março de 2011. Nesse meio tempo, ambos os
lados do conflito concordaram a princípio
em sentar à mesa de negociações em Genebra no mês que vem.
Muitos países afirmam que armar a oposição criaria
condições equitativas, o que forçaria Assad a estabelecer uma
negociação. "É importante mostrar que estamos preparados a criar uma
emenda em nosso embargo de armas para que o regime de Assad tenha um
sinal claro de que tem que negociar seriamente", disse o chanceler
britânico William Hague.
A data, o cronograma e a lista de participantes da conferência continua incerta, e há muitas dúvidas sobre seus reais objetivos.
A Áustria está entre os países que afirma que a União
Europeia não pode fornecer armas aos rebeldes sírios, alegando que isso
apenas exarcebaria uma situação já horrível.
"Acabamos de receber o Prêmio Nobel da Paz
e agora ir em direção a se envolver intencionalmente em um conflito com
entrega de armas, na minha opinião, está errado", disse o ministro das
Relações Exteriores austríaco, Michael Spindelegger. "Voltar atrás e
reverter nossa linha não ajudaria no conflito."
Qualquer decisão requereria unanimidade entre os 27
Estados, mas caso não se consiga chegar a um acordo, a decisão caberá a
cada país individualmente, o que passaria a imagem de uma União Europeia
dividida para o resto do mundo.
"Se não houver compromisso, então não há sanções ao
regime", disse Spindelegger. "Na minha visão, isso seria fatal, também
por aqueles que agora querem entregar armas."
"A maior parte do mundo os nega meios de se defenderem,
então isso cria um povo extremista e radical. Estamos atingindo os
limites de quanto tempo mais conseguiremos prosseguir com essa
situação", rebateu Hague.
Nesse sentido, para o chanceler britânico, há questões
maiores envolvidas do que a unidade da União Europeia. "É importante
fazer a coisa certa pela Síria. Isso é mais importante do que se a União
Europeia é capaz de se manter unida em cada detalhe disso."
Além da questão moral de fornecer armas em uma guerra
civil, há também temores de que a entrega de armas para a oposição abra
caminho para que grupos extremistas e terroristas tomem tais armas e as
utilizem contra a própria União Europeia.
Apesar da aparente incompatibilidade de visões,
diplomatas continuam esperançosos em alcançar uma posição comum no
momento em que a reunião acabar, pelo menos, até que o atual embargo de
armas expire na sexta-feira à noite.
'Posições de liderança':
Ainda há espaço para compromissos sobre que tipo de equipamento poderia ser entregue, para que grupos, e dentro de qual prazo.
"Desacordos na União Europeia seriam um sinal errado",
disse Westerwelle. "Quanto mais coesiva forem as ações da Europa, mais
influência terá o continente na superação da violência atual na Síria."
Nos últimos dois anos, a União Europeia aumentou as
medidas restritivas contra o regime de Assad, incluindo sanções
econômicas e restrições relacionadas a vistos. Em 28 de fevereiro, o
grupo alterou um embargo de armas total para permitir que equipamentos
não letais e remédios pudessem chegar aos civis no conflito.
Se não forem renovadas, todas as medidas expiram no final do mês.
Nenhum comentário:
Postar um comentário